19 setembro, 2010

O trabalho enlouquece o homem


Qual o propósito da vida de uma pessoa que tem um trabalho sem sentido e mentalmente estafante? E o que dizer dos métodos arcaicos com que as empresas tentam domar seus funcionários, com memorandos inúteis e regras que em nada acrescentam ao trabalho ou à existência da empresa? O que realmente define "trabalho" e "felicidade"? Essas duas coisas realmente não podem coexistir? É errado não se sentir feliz com o trabalho que obviamente não lhe traz felicidade?

No texto "Trabalho sem sentido" expressei minha total indignação em relação à rotina que nos forçam a seguir e os trabalhos sem qualquer sentido lógico aceitável que nos forçam a fazer, utilizando a simplória desculpa de que "Trabalho é isso!". Mas afinal, qual o problema de um ser humano comum querer para si algo gratificante e edificante, que vá muito além do salário no fim do mês? Essas questões são tratadas pelo diretor e roteirista Mike Judge (criador da série animada da MTV "Beavis and Butt-head"), no filme "Office Space" (no Brasil intitulado "Como Enlouquecer Seu Chefe") de forma cômica, mas não menos realista.

Peter (Ron Livingston) é um cara comum, com rotinas urbanas insuportáveis e desgastantes, um emprego inútil com muitas regras sem sentido, e chefes enfadonhos que tem em sua existência o prazer das empresas em fazer valer suas regrinhas burocráticas arcaicas.

Nesse ambiente altamente hostil à mente humana era de se esperar que numa "segunda-feira de cão" Peter tenha surtado e percebido o quanto de sua vida passou sem que ele tivesse tido a chance de aproveitá-la da melhor forma possível, estando sempre ocupado com sua insuportável rotina. Depois da epifania, Peter passa a pouco se importar com seu emprego, tornando-se um funcionário "relapso" (aos olhos dos chefes), mas feliz. A pouca importância que ele passa a dar às regras da empresa é tanta que, surpresa, começam a vê-lo como um funcionário visionário, com grande capacidade para ocupar um cargo executivo, devido as suas observações realistas do que seria um trabalho gratificante e produtivo.

No meio do seu processo de libertação, Peter conhece a doce e bela Joanna (Jennifer Aniston), uma garçonete que também está infeliz com seu emprego numa lanchonete onde as regras que determinam se um funcionário é bom ou não se limitam a quantos botons ele prega em seu uniforme.

Uma das cenas mais memoráveis do filme acontece quando Peter e seus dois amigos recém-demitidos fazem uma espécie de "ritual de libertação" destruindo a impressora da empresa a chutes, socos e pauladas. Essa cena serviu como uma demonstração do ódio que nutrimos por tanto tempo sob o comando de um sistema empregatício que não nos valoriza, não nos acrescenta e nos trata como robôs. E acredito que milhares de pessoas fantasiam em suas mentes uma cena como aquela.

"Office Space" nos mostra que o modelo que muitas empresas julgam ser o melhor e mais produtivo não passa de um amontoado de conceitos ultrapassados e idiotas, e que, se não forem mudados, levarão seus funcionários ao completo descontentamento, à frustração e à loucura. Esse deveria ser um filme obrigatório aos executivos que pensam ter em suas mãos empresas modernas, agradáveis e ágeis. Bastará a eles assistirem os seis primeiros minutos para constatarem que suas empresas não passam de dinossauros burocráticos.


2 comentários:

K. disse...

aaaaahhhh
daqueles filmes raros em que a jennifer aniston faz um personagem interessante...!

(mas eu lembro que, qdo assisti, achei tão chato...!)

Simples assim... disse...

Vou ver! Adorei o post, sempre escrevo sobre isso.... Bom, gostaria que vc visitasse meu novo blog, focado em educação política e afins, para salvar nosso país! Brigadão! http://www.nossosmotivos.blogspot.com/

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