26 agosto, 2009

A cidade para os carros



Andando pelas ruas da cidade pude perceber o quanto nós, pedestres, somos ignorados. O pedestre é sempre colocado em segundo plano, como se fossemos pragas urbanas não merecedoras de um espaço só nosso. Temos nossos direitos desrespeitados por motoristas e governantes.

Exemplos para isso não faltam. Semáforos favorecendo o deslocamento mais rápido dos carros, ao invés das pessoas que estão a pé, calçadas esburacadas e tomadas por carros, como se fôssemos invisíveis. Os políticos sempre dizem que farão obras viárias para tornar a vida do motorista mais cômoda, e nunca se comprometem em fazer melhorias direcionadas aos pedestres. O Prefeito da cidade de São Paulo, Gilberto Kassab, mostrou ser mais um político deste tipo. A restrição aos ônibus fretados é apenas uma parte das políticas antitransporte público promovida pela Prefeitura de São Paulo. Soma-se a isso mais dinheiro injetado nas viações em forma de subsídios e nenhuma melhoria nos corredores de ônibus, tomados por carros e táxis. Empresas interessadas apenas no lucro diminuem suas frotas, aumentando a lotação, e políticos interessados apenas no dinheiro para suas campanhas enchem de regalias empresas que não oferecem o mínimo de serviço aceitável.

E essa onda supostamente a favor da fluidez no trânsito não fica restrita à Prefeitura da capital. O Governo do Estado também faz sua parte em estimular o transporte individual. Ao promover as obras da nova Marginal Tietê, que custará mais de R$ 1 bilhão e ficará pronta em 2010 (ano de eleições), a ideia principal passada à população é de que podemos pegar nossos carros e entupir as avenidas, afinal, tudo ficará mais rápido e confortável. Aliás, quem diria, é exatamente isso que o Governo do Estado diz em suas propagandas de divulgação da obra bilionária.

Somando todas as obras promovidas pela Prefeitura e pelo Governo do Estado chegamos num total de R$ 4 bilhões, o suficiente para construir 20 km de linhas de metrô. Ou seja, o dinheiro que poderia ser usado na modernização dos corredores de ônibus, na compra de ônibus mais modernos e confortáveis ou na ampliação da malha metroviária, que já está mais do que saturada, será jogado no lixo com a construção de mais vias que não demorarão a ter congestionamentos monstruosos nos horários de pico. Tudo pelos votos de 2010.

Ao estimular cada vez mais a população a utilizar carros, nossos governantes mostram o quanto se satisfazem ao trabalhar contra a população. Em 2010 devemos todos nos lembrar disso.

4 comentários:

Cruela Veneno da Silva disse...

pois é.

essa do onibus fretado foi o cúmulo.

como pode?

enquanto isso a rubem berta tem engarrafamento desde as 5 da manhã.

Thiago Almeida disse...

Complicado mesmo!
Vemos em outras capitais brasileiras que a educação no transito é bastante avançada. Lugares onde não existem semaforos, porém se há uma faixa de pedestres, os carros param em sinal de cordialidade(Curitiba é um exemplo).
Sobre sua frase "...é exatamente isso que o Governo do Estado diz em suas propagandas de divulgação da obra bilionária...". Vale ressaltar que as propagandas do governo de SP, passam para o Brasil todo. Dinheiro este do contribuinte. Oras, estamos nós contribuindo para propaganda política do Serra!?
2010 tá aí... Vamos ver até onde a memória do povo vai.

Forte abraço, cara!

Genérica Paraguaia disse...

Em 2010 ninguém lembra. Poucos lembram. Muitos mentem, tapam 2 buracos e para eles tudo fica numa boa!

Rick Galdino disse...

O Governo de São Paulo está fazendo o Programa Expansão São Paulo. Segundo o propaganda este é "o maior programa de integração das linhas metrôe e CPTM". Puro Marketing!

São meia dúzia de novos trens, outros repintados de vermelho, troca de logotipos, algumas estações e, de novidade e de trilho no chão, só duas estações e a promessa da linha 4 - Amarela.

Pode?

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