09 outubro, 2010

Serra e Dilma, candidatos ao Vaticano


A corrida pela Presidência da República chegou ao segundo turno mais cristã do que nunca. Antes pautada por escândalos e quebras de sigilo, agora a disputa é para saber quem é o candidato mais cristão. Soa no mínimo estranha e sem propósito que uma discussão desse nível ainda esteja em voga em pleno século 21.

De um lado, Dilma brada que é a favor da vida e dos valores cristãos. Do outro, Serra evoca deus e diz ser um forte defensor da família. E no meio nós, eleitores, tendo de aguentar tudo isso, apenas olhando os potenciais comandantes deste país vomitando conversa fiada religiosa, esquecendo que o Estado deve ser laico, e que há assuntos mais importantes e de maior interesse à nação a serem tratados pela presidência, e que passam longe de ser o que deus aprova ou deixa de aprovar.

Vivemos em um país com milhões de pessoas de diferentes crenças. Nossa Constituição, aliás, permite que isso seja possível. Então, qual o sentido de um político se colocar como "defensor dos valores cristãos" quando parte da população não segue religiões cristãs, e outra parte nem religião tem? Qual o propósito de abominar o aborto por supostamente ser um "ato pecaminoso e condenado por deus" ao invés de tratá-lo como um problema de saúde pública, quando milhares de mulheres sem recursos financeiros recorrem a clínicas clandestinas para abortar um filho indesejado, fruto da falta de planejamento familiar e da educação deficiente que há anos contamina nosso país?

Serra e Dilma descobriram nesse segundo turno que precisam aparecer indo a igrejas, canais de TV evangélicos e opinar em favor dos religiosos em assuntos que dizem respeito à vida de milhões de pessoas que não precisam de deus, e sim de políticos menos oportunistas, que pensem a favor do país e que estejam dispostos a defender o povo brasileiro, seja ele religioso ou não. Precisamos de respostas, de propostas, de debates. Precisamos seguir o caminho do desenvolvimento, do fim da pobreza, da melhoria da saúde, da segurança e da infraestrutura. E isso só é possível com políticas públicas sérias, e não com leitura da bíblia e sessões de descarrego.

Um comentário:

Igo Araujo disse...

eu loguei no blog pra fazer meus post e vi a sua atualização... tudo q posso comentar está lá....

aqui, só venho dizer que a atitude de nossos políticos (não só Dilma e Serra) é lamentável...

abçs

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