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09 setembro, 2011

Liberdade e privacidade segundo minha família

Segundo a mente interiorana dos integrantes da minha família o simples ato remoto de cogitar, imaginar ou sonhar ter uma vida independente, morando sozinho, desfrutando a privacidade e liberdade, é tido como desrespeito, falta de consideração e ignorância. Segundo a regra criada por eles um bom filho, se não casar, deve passar o resto de sua vida morando na casa dos pais. Se casar, deve obrigatoriamente construir um "puxadinho" no terreno e lá morar. Se não for possível, só é aceito que vá morar a uma distância de, no máximo, 15 minutos de carro. Nada de morar fora de Osasco. É obrigatório estar sempre perto e disponível à família. Se não o fizer, automaticamente você será considerado um inimigo.

Me espanta hoje em dia ter pessoas que cultivam esse tipo de pensamento caipira e limitado. Também me espanta as pessoas acharem que querer desfrutar a liberdade e preservar a privacidade são sinais de estupidez e ódio à família. "Como assim você não quer que eu diga como sua casa deve ficar???", "Por que não atendeu o telefone???", "Aonde você foi???", "Aonde você vai???", "Quem disse que você não precisa de mim???". Demonstrações  de autonomia não são bem vistas. Para eles, ser capaz de fazer tudo sem ajuda é motivo para briga. Para eles, você não precisar da família para sobreviver merece pena de morte.

12 agosto, 2011

Pedestre X Motorista

Pateta é o Senhor Willard, O Motorista
“A pessoa está vendo que estou de carro. Ela tem que sair da minha frente”. Essa frase, dita por minha tia enquanto manobrava seu carro no estacionamento de um supermercado, deixa evidente o que milhões de pedestres sabem há décadas: a grande maioria dos motoristas é composta por seres babacas desprovidos de civilidade, e que demonstram enorme incapacidade de conviver em harmonia com quem não está motorizado.

O trânsito brasileiro é uma verdadeira guerra, e quem mais sai perdendo são aqueles que não possuem uma armadura motorizada para protegê-los: os pedestres. Na cidade de São Paulo, das 1.357 mortes no trânsito ocorridas em 2010, 630 foram de pedestres (dados da Secretaria Municipal de Transportes). E não é difícil entender porque tantas pessoas perderam a vida enquanto apenas caminhavam pelas ruas da cidade. Bastam alguns minutos observando o comportamento dos motoristas para surgirem cenas de imprudência, desrespeito e absurdas demonstrações de incivilidade.

Diante de tantas barbaridades no trânsito que causam risco à vida de pedestres, a Prefeitura de São Paulo criou o Programa de Proteção ao Pedestre, um conjunto de medidas que visam a “valorização” do pedestre por meio de ações educativas e punitivas (com multas de R$ 85,12 a R$ 191,53). E, quem diria, logo no primeiro dia da aplicação das multas 20 pessoas foram atropeladas na cidade, o que mostra que nem com conscientização e colocando a mão no bolso os motoristas consideram a possibilidade de respeitar quem é mais fraco.

Toda essa brutalidade no trânsito, claro, não é de agora. O que vemos hoje nas ruas é fruto de décadas de descaso do poder público, sempre negligente e omisso, optando por favorecer o transporte individual, criando assim cidades cada vez mais hostis com os pedestres.

O carro traz liberdade, dá status, aumenta a autoestima. Não à toa é um verdadeiro sonho de consumo para a maioria dos humanos. Por isso, para essas pessoas, tentar “atrapalhar” seus desfiles pelas ruas da cidade mostrando a potência dos seus motores, o brilho da pintura da carroceria e o conforto dos seus bancos é um ultraje, um desrespeito ao seu direito de usufruir das ruas que são, na cabeça deles, de sua propriedade. “EU TENHO QUATRO RODAS E SOU 1.6! ME RESPEITE!”, devem pensar eles.

Enquanto as pessoas tiverem essa noção torta de que são imbatíveis e que ganham poderes que os transformam em super-humanos quando estão atrás do volante de seus carros, e que os pedestres só estão nas ruas para atrapalhar seu caminho, será impossível enxergar civilidade no trânsito das grandes cidades.

20 junho, 2011

Democracia à brasileira?


Imagine um país onde discordar dos demais é considerado crime. Um país onde a liberdade de pensamento não é vista com bons olhos quando esse pensamento não vai de acordo com o que parte da população pensa. Nesse país as pessoas clamam por punição àqueles que não seguem o que eles julgam ser correto. Esse país poderia ser considerado democrático?

Há vários meses vemos um entediante embate em torno do projeto de lei 122/2006, aquele famoso por criminalizar a homofobia. De um lado dessa briga está o "povo de deus" com seus dogmas ultrapassados e opiniões duvidosas sobre como a sociedade deve viver sua vida, mas que está no pleno exercício de seu direito de criticar e não aceitar a homossexualidade. Do outro lado encontramos alguns gays querendo impor à força que todos os aceitem do jeito que são, ameaçando de prisão àqueles que pensem o contrário.

Vendo os discursos inflamados dos gays fico apenas com uma pergunta em mente: Quando foi que "ser aceito" tornou-se mais importante do que "ser respeitado"? Gays revoltados reivindicando a liberdade de serem gays ao mesmo tempo em que lutam pela aprovação de uma lei que torna crime alguém exercer seu direito constitucional de emitir uma opinião contrária à "causa gay" me causa um enorme desconforto. Querem, pela força da lei, deturpar o princípio básico da democracia em nome de uma imbecilidade criada por pessoas que parecem não entender o que é exatamente o conceito de um país democrático.

Faz sentido condenar à prisão uma pessoa apenas por ela não compartilhar da mesma opinião dos demais? Que sociedade queremos ser proibindo as pessoas de emitirem opiniões ou exercer suas religiões? Que sociedade é essa em que gays se consideram cidadãos de primeira classe e inatingíveis, quando a Constituição diz que todos são iguais e livres? - O que não está em discussão no momento é a violência e incitação ao ódio contra os gays. Assim como qualquer crime do gênero esse deve ser punido conforme o que já prevê a lei.

Muitos já leram em meu blog textos em que critico certas atitudes e pensamentos religiosos e alguns acontecimentos políticos, e que continuo a escrever por mais que minhas opiniões não agradem parte dos leitores. Isso só é possível porque vivo em um país onde sou livre para opinar tendo como base meus conhecimentos, crenças e ideologia. Esse é um direito que eu, cidadão brasileiro, não abro mão. Por que então tirá-lo de outros?

Uma sociedade democrática se constrói com debates e discussões, não com a imposição de determinadas ideias ou ideais que alguns julgam serem mais corretos. Uma sociedade igualitária se constrói com respeito à liberdade individual de pensamento, religião e orientação sexual, por mais que você possa não aceitar. Uma sociedade digna de se viver é aquela em que os cidadãos se sintam seguros e livres para expor o que pensam sem medo de serem julgados e condenados. E é por esse tipo de sociedade que todos nós devemos lutar.

22 novembro, 2010

Os amigos não estavam lá por ele


O país inteiro está chocado após a divulgação das imagens da câmera de segurança que captou o momento exato da agressão contra um jovem gay ocorrida na Avenida Paulista no último dia 15, praticada por outros também jovens com clara falta de ocupação, pais omissos e fortes tendências à homossexualidade enrustida (me desculpem, mas todos aqueles que optam pela agressão a homossexuais de forma gratuita tem SIM um pezinho no lado GLS, mas que teimam em esconder).

As cenas são realmente aterradoras e revoltantes, mas outra coisa chamou minha atenção, e que para mim é igualmente revoltante: a insensibilidade dos dois amigos que acompanhavam o jovem agredido covardemente. Vendo o amigo ser espancado, eles apenas continuam andando, ignorando o amigo que precisava de socorro. E no vídeo vemos eles parando e observando, como se o que estava acontecendo fosse algo corriqueiro, sem qualquer gravidade. Lá parados pareciam estar pensando "Não é com a gente mesmo... Quando terminarem, arrastamos o corpo para o metrô". Nem ao menos esboçam preocupação em buscar ajuda, ligar para a polícia, ou até mesmo partir para a briga em defesa do pobre coitado. Simplesmente ignoraram o fato de que eles também poderiam ter sido escolhidos pelos agressores, e que se isso acontecesse, eles torceriam para que seus amigos os ajudassem.

Por mais que o momento fosse de total perplexidade e espanto com a agressão gratuita, o mínimo que se espera seja o apoio dos amigos em situações adversas. Afinal, amigos são aqueles que estarão sempre ao seu lado, não importa o quão grave seja o momento. E naquelas imagens o que vi foram dois covardes que são tão culpados quanto os agressores. Omissão é um grande erro. E a omissão quando um amigo necessita de ajuda é um erro maior ainda, sem espaço para justificativas.

27 julho, 2010

Por que você se importa?


Sempre tento entender as razões que levam religiosos a se importarem tanto com as escolhas feitas pelos "infiéis". Afinal, se o deus que eles veneram diz que temos a liberdade para tomarmos nossas próprias decisões e seguir os caminhos pelos quais sentimos prazer, porque essas pessoas se sentem no direito de julgar, negar e condenar aqueles que não aceitam os ensinamentos da bíblia?

Você pode ou não acreditar em algum deus, mas numa coisa você tem que acreditar: todo mundo morrerá um dia e irá para o mesmo buraco. O que somos enquanto vivos realmente importa a ponto de você querer se intrometer na vida alheia? A religião, orientação sexual e as escolhas da vida de uma pessoa interferem no seu bem estar, na sua vida particular?

Muito se discute se deve ou não ser permitida a união entre pessoas do mesmo sexo. A igreja diz que seu deus todo poderoso não permite tal atrocidade à dignidade humana e cristã. Já a razão diz que todos os seres humanos são iguais perante a lei, e devem ter respeitados todos os seus direitos enquanto cidadãos de países democráticos. Então, porque a igreja, uma organização que não é (e não pode) ser reconhecida como entidade política, se vê no direito de cercear direitos constituídos em nome de dogmas antiquados? Que deus seria esse que condena seus "filhos" por não seguirem doutrinas que não mais encontram espaço na sociedade atual?

Por que você, evangélico ou católico, diz que a mulher não tem domínio sobre seu próprio corpo por ser ele um bem divino e da posse de seu deus, e por isso não deve ter o direito de decidir por manter ou não uma gestação indesejada? Não pretendo entrar nos pormenores do assunto, mas gostaria de pegar como exemplo o caso da menina de 9 anos, moradora da cidade de Alagoinha (PE), estuprada pelo próprio padrasto. A igreja católica (sempre ela) se disse inconformada com a autorização da justiça para o aborto. De acordo com seus líderes, a igreja considerava o ato um crime sem precedentes e passível de punição divina, com todo o rigor de deus – a mãe da menina e os médicos que participaram da operação foram excomungados. Veja bem, condenaram o aborto, não o estupro. Talvez nisso deus seja liberal...

Outro grande mal da falta de noção de grupos religiosos é a proliferação de políticos a serviço da igreja católica e evangélica com o claro objetivo de disseminar a torto e a direita seus dogmas, preconceitos e limitações religiosas. Com leis tentam barrar direitos, empurrando goela a baixo suas crenças.

Continua fresca em minha memória a ex-Governadora do Rio de Janeiro Rosinha Matheus lançando mão de seu poder para implantar no ensino público de seu Estado aulas sobre o criacionismo. Uma grave afronta ao direito constitucional de liberdade de religião e opinião.

Alguns adeptos de religiões precisam aprender que crenças, política e a vida do seu vizinho são coisas diferentes, não devendo jamais ter seus caminhos cruzados. Religião também deve se enquadrar no quesito "vida em sociedade". Pois viver em harmonia é também aceitar e respeitar as diferenças, estas sim inegáveis e imutáveis.

21 junho, 2010

Trabalho sem sentido

Tenho pensado um pouco mais no sentido que a vida leva considerando o trabalho que a maioria de nós mortais tem. Trabalhar de segunda a sexta, no horário comercial, desempenhando diariamente as mesmas funções, vendo as mesmas pessoas e fazendo sempre o mesmo caminho de casa-trabalho, trabalho-casa. Para que serve tudo isso? Qual o sentido dessa rotina em nossas vidas? Será mesmo que devemos perder tanto tempo com coisas que só nos trazem estresse, doenças e gastos? Qual o propósito que conseguimos encontrar levando essa vida tão limitada?

Cansado do trânsito interminável e dos ônibus desconfortáveis decidi vir para o trabalho de trem e metrô. Nessa minha nova rotina pude reparar melhor nas pessoas a caminho de seus empregos entediantes e uma coisa me chamou atenção: somos gado, somos animais adestrados. Não passamos de uma massa vazia e robótica, vivendo nossas vidas como meros coadjuvantes, inertes, calados e repetitivos. Aprisionados nessa rotina entediante, enfadonha, ridícula.

Quando digo às pessoas que nossas vidas poderiam ser mais dinâmicas e úteis, com horários de trabalho flexíveis, sem cobranças, sem chefes, sem tédio, me chamam de louco, de idiota. Dizem que penso assim por ser jovem e imaturo, que o sistema é assim, e assim sempre será. Mas será que pensar que podemos mudar o mundo e tornar nossa existência um pouco mais significante é burrice, utópico, ingenuidade?

Sinto por aqueles que pensam que nossas vidas se resumem a relatórios mensais, metas a serem cumpridas a todo custo, cumprimento rígido a horários e rotinas burocráticas, que ao invés de produzir resultado apenas nos dá sono, acumula papel e não leva a lugar algum. Pensar que ter um estilo de vida engravatado é sinal de sucesso é pensar que nossa capacidade deve ser limitada a um gasto de energia desnecessário. Quando poderíamos colaborar, criar e fazer muito mais, estamos entre quatro paredes em nossas mesas entulhadas de papel cheios de inutilidades, nossos computadores mostrando em suas telas planilhas coloridas inúteis e com os chefes presos em nossos ombros feitos papagaio de pirata sempre cobrando "aquele relatório", ou "aquele processo".

Acredito que todos nós podemos mais, que podemos oferecer o melhor dos nossos conhecimentos. Apenas precisamos de liberdade, de autonomia, de oportunidade para sermos criativos. Assim, teremos uma vida mais feliz, mais produtiva, mais útil. Mais vida.

17 dezembro, 2009

Absoluta!

Vendo a tal de Stephany pela Internet fico imaginando o que se passa na cabeça dessa mocinha. Será mesmo que ela acha que seu sucesso (?) é fruto de competência, talento e beleza?

Há pouco tempo ela foi convidada para cantar (?) numa das casas noturnas gays mais famosas do mundo, a The Week. E vendo os diversos vídeos no YouTube é engraçado como ela realmente se acha uma "superstar". Mal sabe ela que na verdade não passa de um palhaço a quem as pessoas adoram ridicularizar amargamente por ser uma estranha combinação de mau gosto e falta de senso de ridículo, mas mesmo assim se vê como uma pessoa "absoluta" (em suas próprias palavras).

O nível dessa garota mimada fica claro no vídeo em que mostra o trecho do programa "Esquadrão da Moda", do SBT. E uma coisa não podemos negar: ela é uma mulher com personalidade única. Ela só pode ser do signo de Piauí.

19 setembro, 2009

Lei da Chiquinha


Estava eu assistindo "Chaves" quando me ocorreu um pensamento: a Chiquinha deve ser brasileira.

Pense comigo. Ela faz de tudo para ter vantagens. Inventa histórias para conseguir comer de graça no restaurante da Dona Florinda, sempre enrola as outras crianças para pegar o dinheiro delas e vive fazendo chantagem para que seu pai lhe dê mais dinheiro. Acho que foi ela a criadora da "Lei de Gerson"...

27 agosto, 2009

Alienação geral



A edição de setembro da revista Superinteressante veio com uma reportagem de capa revelando algumas verdades recém descobertas sobre a 2ª Guerra Mundial. Ao ler a revista na sala de aula da universidade uma menina, no auge dos 18 anos (média de idade dos alunos da universidade Anhembi Morumbi) diz a seguinte frase: "Hitler era muito foda! Tudo o que ele fez estava certo". A questionei para tentar entender de onde poderia vir tal pensamento. Fiquei mais aterrorizado ainda ao ouvir de sua própria boca que ela era uma branca pura. Tentei lembra-la de que no Brasil a ideia de uma “raça pura” não existe desde a chegada dos europeus por essas bandas. Mas não adiantou. Para ela apenas o fato de ter a pele branca a faz uma ariana legítima, e consequentemente, superior.

Não nego que vejo em Hitler um personagem importante em nossa história. Daí considerá-lo um símbolo único e idealizador de um dos planos mais "inteligentes" do mundo não me soa estranho, mas estúpido. Mostra o nível de alienação a que uma pessoa se deixa tomar. E é triste saber que uma pessoa tão nova, com muito que aprender e mostrar ao mundo já destila estupidez jurando ser essa uma opinião sensata e única.

Mas o que esperar de uma pessoa que do alto de sua estupidez diz ser contra transporte público por ser utilizado apenas por pobres, que judeus só ajudam judeus e por isso mereceram morrer no holocausto, e que ao fazer trabalhos da faculdade recorre ao papai que, como não poderia deixar de ser, salva a filhinha mimada em todos os momentos?

Não sei por que, mas isso me lembrou a academia da universidade...

24 agosto, 2009

Falando bonito


O ser humano, por sua natureza, sempre busca a superação sob seu adversário. Seja em ambientes de trabalho, relacionamentos ou qualquer outro momento que tenha possíveis "inimigos".

Não precisa procurar muito para encontrar bons exemplos desse tipo de comportamento. Um homem agarrando sua namorada/esposa (ou como preferente dizer, "sua mulher") no meio da rua é para demonstrar posse na esperança de que os demais homens saibam que ali não podem se meter, "aquela mulher tem dono".

Na política a fala "culta" soa como tentativa de elitizar a imagem pessoal, se distanciando dos pobres e criando uma bolha em volta de si que supostamente passaria a imagem de ser uma pessoa superior. Se valendo da mesma tática, em ambientes de trabalho a demonstração de “poder” também fica por conta do uso de palavras rebuscadas e difíceis, com o intuito de despertar “admiração” pela suposta superioridade dos que ocupam cargos mais altos.

Acredito que as pessoas agem dessa forma para suprir algo que lhe falta. Políticos fazem isso para mostrar ao povo que neles podem confiar, pois são “letrados, cultos e entendem do mundo”. Um homem que segura a namorada como se fosse um pedaço de carne o faz para que os demais não tenham o interesse despertado. E no trabalho? Bom, no trabalho a resposta é mais simples. As pessoas (normalmente de cargos superiores) agem de tal forma para desviar a atenção de sua completa falta de competência.

Ao fazer uma pergunta qualquer ao seu chefe você verá que ele fará rodeios, dirá palavras bonitas e no fim das contas você continuará sem uma resposta satisfatória. E você nunca poderá dizer que ele é burro feito uma porta, afinal, ele respondeu de uma forma culta, supostamente inteligente e que, até então, não deixaria dúvidas.

É, falar bonito, às vezes, garante seu emprego.

18 julho, 2009

Falsidades do ofício

Nos dias de hoje a falsidade entre as pessoas passou a ser um comportamento aceito abertamente e muitas vezes incentivado, principalmente em ambientes de trabalho, seja ela por pura maldade ou simplesmente para ser aceito em um determinado grupo. Seria o que eu chamo de "falsidade institucionalizada".

Mas falsidade em excesso traz algum benefício? Como classificar se tais atitudes extrapolam ou não os limites aceitáveis da falsidade? E será mesmo que existe um limite aceitável? Se existe, qual seria esse limite?

Os momentos em que melhor podemos "medir" o nível de falsidade de um local de trabalho são as festas. Festas são tradicionalmente os momentos onde os colegas de trabalho exercem com muito afinco o lado "amigo". Abraços para cá, beijinhos para lá e parabéns para todo os lados. Os sorrisos são largos e as piadas sem graça acompanhadas por risadas forçadas. E todos (ou quase todos) colocam em prática seus planos para agradar o chefe, coisa que nunca surte efeito, pois a lista de "preferidos" já está fechada.

Pessoa realista como sou, faço do meu relacionamento profissional um roteiro direto e claro, contendo no máximo palavras como "oi", "tchau" e limitando-me às questões relacionadas ao meu serviço. Isso faz de mim uma pessoa antissocial ou estritamente profissional?

Não direi que nunca tentei ao menos soltar um sorriso amarelo ou um "oi, bom dia" mesmo a contragosto. Mas por diversas vezes percebi que não sou capaz disso, não consigo demonstrar o que não sinto pela pessoa a quem me dirijo. Talvez seja pela minha criação ou é realmente teimosia. O que sei é que falso eu não sou, e falso eu nunca serei. Então, parabéns eu não dou!

17 março, 2009

Funcionalismo sem causa


Nessa minha nova fase de "estar funcionário público" pude perceber melhor os verdadeiros problemas da administração pública. E nada tem a ver com dinheiro ou condições de trabalho como sempre é alardeado na mídia e em greves.

Em minha recente experiência de pouco mais de 10 meses coletei informações e formulei soluções que nunca serão levadas em conta. Uma delas seria acabar com o mar de chefes que assola todo ambiente do governo, mais conhecido como “muito chefe para pouca tribo”. Isso leva aos conflitos de interesses e as informações perdidas pelo caminho. O serviço não rende e o serviço público piora.

Outro ponto que merece mudança é a profissionalização dos cargos de liderança. Um bom exemplo do mal que a falta de profissionais qualificados é a direção das escolas. Atualmente, para ser um diretor basta ter passado alguns anos em sala de aula. Não são exigidos conhecimentos comuns a qualquer administrador, levando as escolas ao abismo da má gestão de verbas e atendimento sofrível à comunidade.

Mas o que mais me chamou a atenção nessa área foi uma característica muito típica do funcionalismo: odiar todos os funcionários recém-chegados. É engraçado ver atitudes que seriam impensáveis em empresas privadas serem toleradas e até mesmo incentivadas em qualquer órgão público. Para mim, essa maneira de agir demonstra um grande medo de serem “ofuscados”, afinal, funcionários novos são sempre mentes frescas e descansadas prontas a desempenharem um trabalho melhor do que o feito pelos que estão há anos acomodados no funcionalismo público.

Mas há algo que eu aprendi nessa fase passageira. Aprendi que pessoas não são confiáveis. Muito menos aquelas que sorriem e dão bom dia. Também aprendi a nunca dar as costas a um funcionário público. Eles são animais mais traiçoeiros que um tigre faminto.


PS: A pergunta que não quer calar: por que funcionário público se veste tão mal?

23 outubro, 2008

Jovens X TV

Nos últimos anos as emissoras de TV aberta brasileiras viram sua audiência entre jovens e crianças despencar. O motivo sempre alegado foi o de essa faixa etária ter trocado a TV pela Internet e DVD, mas eu tenho um palpite muito mais lógico: a qualidade duvidosa do que nos é oferecido diariamente. (continue lendo...)

27 julho, 2008

Quando chega a hora de soltar as correntes


Sempre tentei entender os motivos que levam as famílias brasileiras a não incentivarem os filhos a saírem de casa. E não só não incentivam como também nunca aceitam quando os filhos decidem seguir em frente com suas vidas. É só comentar que pensam em se mudar que os pais já tratam o assunto como sendo uma ofensa, uma ingratidão depois de anos de sustento.

Acho engraçados os argumentos que ouço das pessoas tentando me convencer a não sair de casa. Alguns dizem que eu vou me arrepender porque viver sem os pais é difícil, que eu logo voltarei para casa correndo. Outros dizem que viver com amigos é péssimo, que nunca vamos nos dar bem e que eu também vou voltar correndo para a casa dos pais. Aliás, o que mais ouço é a frase “você voltará correndo para a casa dos pais”. Parece que as pessoas insinuam que ninguém tem capacidade de sustento próprio, de bancar sua própria vida sem os olhares e cuidados dos pais. Talvez seja por essa maldita educação de que você só está pronto para sair de casa com o aval dos pais, o que normalmente só ocorre quando você casa.

Será só o casamento uma demonstração de maturidade? Não basta você já ter um emprego estável, dinheiro na conta e senso de responsabilidade suficiente para saber o que é certo e errado e como manter uma casa? E porque nunca levam em conta a educação dada aos filhos? Será que os próprios pais não acreditam que foram capazes de educar corretamente seus filhos para que sobrevivam sem problemas no mundo lá fora?

Na minha família há muitos exemplos do que as pessoas acham serem bons filhos. Filhos com mais de 30 anos e ainda vivendo na aba dos pais, que são obrigados a sustentar os netos. E mesmo assim estão todos alegres e sorridentes como se isso foi a maior maravilha do mundo. Será essa a demonstração de responsabilidade que tanto querem de nós? Me desculpe, mas eu estou muito além desse nível.

01 julho, 2008

Coisa rara



No último sábado eu estava em um ônibus de São Paulo quando um ser maldito começou a ouvir música alta no celular (desgraçado é aquele que fez isso virar moda!). Após alguns minutos de estorvo uma senhora pediu para que o "cidadão" desligasse o celular. Não obtendo resultado a senhora apelou para a cobradora do ônibus, que em resposta disse que não poderia fazer nada porque não queria arrumar briga de graça. E então eu pergunto: se é proibido o uso de aparelhos sonoros dentro de ônibus porque diabos a funcionária da empresa, a pessoa que deveria zelar pelo cumprimento das regras dentro do ônibus, se recusou em fazer com que o "cidadão" desligasse seu celular? Por que essa cultura maldita do "não me meto porque não é da minha vida"?

Quando regras simples como a de não usar aparelhos sonoros dentro de ônibus são burladas é um pulo para outras contravenções maiores. Ao não pedir para o passageiro desligar seu celular a cobradora passou um recado ao "cidadão" de que ele pode tudo e que regras não são para serem seguidas, que ele tem o suposto direito de fazer o que bem entender.

Brasileiro não sabe seguir regras. É um povo que se recusa a ler placas indicativas com instruções. Um outro grande exemplo é o aviso que tem em todas as escadas rolantes das estações do Metrô e CPTM. Elas são claras: "Mantenha-se à direita. Deixe a esquerda livre para circulação". E mesmo assim sempre sou obrigado a pedir que saiam da minha frente para eu passar. E nunca dão licença sem antes xingar. Aliás, devem me achar um alienígena por querer andar mais rápido na escada rolante (acho que esse povo nunca vai ser capaz de entender o porque da escada rolante estar numa estação).

O brasileiro precisa aprender que viver em sociedade implica muitas coisas, inclusive seguir regras. Elas não foram feitas para ficarem no papel. Temos que começar a seguí-las e exigir que todos entrem na linha. Só assim para ser possível uma mudança nas coisas. Inclusive viver livre daquelas merdas de celulares tocando funk dentro dos ônibus.

05 maio, 2008

Uma realidade virtual

Assistindo ao programa "A Fila Anda" (MTV), uma coisa me chamou muito a atenção: os pretendentes podiam escolher dois meios para se comunicarem com a "moça perseguida", telefone ou Messenger. E quase todos escolhiam o Messenger com o pretexto de "serem mais autênticos", "mais espontâneos". E isso me deixou com uma enorme dúvida na cabeça: porque as pessoas estão cada vez mais "virtualizando" suas relações? (continue lendo...)

26 março, 2008

Fazemos por prazer


Seta é opcional. Cinto de segurança é desnecessário. Parar em cima da faixa de pedestres é normal, mas mais normal ainda é parar em locais proibidos. Se for em baixo da placa indicativa melhor ainda! Buzinar é necessário. Buzine para tudo e para todos. Entrou na sua frente? Buzine até estourar os tímpanos da pessoa. E nunca pare no farol vermelho. Apenas os perdedores fazem isso. Mais perdedor ainda se você respeita os limites de velocidade. Meu! pára de ser viado e pisa fundo!

Pronto, com essas dicas você está pronto para dirigir. A única regra aqui é desrespeitar o máximo de regras que lhe for possível. E não se preocupe com multas. Se receber alguma é só ligar naqueles números de telefone espalhados pelos postes que prometem tirar os pontos de sua carteira. Aliás, isso se você for multado, afinal, fiscalização de trânsito por aqui é algo raro. Gostamos da desordem. ela nos dá um ar mais descolado, mais terceiro mundo. Gostamos disso. Que Holanda que nada, aqui é o lugar da liberalidade de verdade. Aqui você pode parar seu carro em cima da calçada, na Holanda não!

Pegamos gosto pelo desrespeito ao próximo. Não aceitamos regras que querem apenas nos fazer viver em harmonia e organização. Querem que sejamos civilizados! Isso é coisa de primeiro mundo. Aqui é Brasil minha gente. Para que esse tipo de coisa???

16 março, 2008

1 segundo


Supondo que o planeta Terra tivesse 45 anos, do surgimento do ser-humano até os dias de hoje, seria o equivalente a 1 segundo.

Em 1 segundo conseguimos pôr em extinção milhares de animais. Em 1 segundo provocamos o aumento do aquecimento global. Em 1 segundo fizemos 2 guerras que colocaram em perigo toda nossa população. Em 1 segundo acabamos com nossas florestas e rios.

Temos que mudar de atitude, agir mais depressa para ao menos amenizar nossa desgraça. Pois não temos mais 1 segundo a perder...

26 janeiro, 2008

Uma hora vai voltar para você


Você prefere mudar seu estilo de vida, passando a conservar melhor o ambiente, reciclar o lixo, diminuir o uso do carro, passando a usar mais trem e metrô, consumir com racionalidade a água e energia, e exigir maior atuação dos Governos nas questões relativas à conscientização da população e medidas de proteção à natureza, ou prefere continuar acomodado, destruindo o planeta em que vive?

lembre-se: uma hora vai voltar para você.

15 dezembro, 2007

Quando o lanche se vai...


Que o Burger King é uma das maiores empresas do mundo ninguém nega. Que o Burger King influencia milhões de americanos também ninguém nega. Mas como mostrar esse poder? Existe uma maneira de mostrar a todos que o Burger King impera nas mentes e corações dos americanos?

Eles descobriram como: câmeras escondidas registrando vários clientes enlouquecidos com a notícia (falsa, claro) do fim do Whopper, o carro-chefe da rede de lanchonetes.

A idéia não é nada original, afinal, usar câmeras escondidas é mais do que batido. Mas o que realmente impressiona são os clientes, alguns histéricos, outros emocionados, e muitos indignados por tirarem seu maior desejo. O video mostra a que ponto chega a relação de uma empresa com seus clientes.

Lembrando que nada, nada mesmo, foi combinado. As reações que você verá são emocionalmente espontâneas.
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