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21 maio, 2011

A lição dada por Amanda Gurgel

Há anos o cenário político brasileiro deixou de representar as vontades e desejos do povo. Partidos e políticos parecem viver em terras encantadas, onde tudo funciona corretamente, onde todas suas decisões são as melhores possíveis e a população está sempre feliz e satisfeita. É o "Brasil oficial" distante do "Brasil real".

A educação é a área em que mais sentimos a ausência de empenho por parte dos nossos governantes. Independente de partidos, se de esquerda ou de direita, todos parecem pouco se importar com a importância da educação de qualidade para o futuro do país. E uma questão tão importante como essa é tratada por militantes como algo meramente partidário. Basta ver os discursos inflamados de professores militantes de esquerda contra partidos de direita, como se a melhoria da educação dependesse de questões ideológicas. Até que surgiu Amanda Gurgel, uma professora da rede pública do Rio Grande do Norte, que com fala simples, educada, clara e objetiva foi capaz de resumir em um rápido e emocionante discurso a situação da educação no Brasil, em especial no Rio Grande do Norte, durante audiência pública na assembleia do seu Estado, deixando claro que o problema vai muito além de partidos e ideologias. O problema está enraizado em nossa política, em nossa cultura.

O vídeo desse discurso extraordinário correu as redes sociais e os telejornais, fazendo de Amanda a nova voz daqueles que lutam pela melhoria da educação e que mostram ter em seus corações não apenas a vontade, mas a capacidade de fazer desse país um lugar melhor.

Vendo esse discurso só consigo pensar em uma coisa: inveja dos alunos que tem a oportunidade única de ter como professora essa mulher fenomenal. E, se há mais pessoas como Amanda, o Brasil terá salvação.


16 outubro, 2009

Apenas um nu falso


Decepcionante o protesto promovido ontem (15), Dia do Professor, intitulado "Dia do Nu Pedagógico". Para quem esperou pelancas a mostra viu professores usando uma bata com silhuetas imitando um corpo nu. Que sem graça!

08 outubro, 2009

Pelados para chocar

Diretores, vice-diretores e coordenadores das escolas estaduais Paulistas planejam ficar nuzinhos em pelo no próximo dia 15, dia dos professores. Intitulado "Dia do Nu Pedagógico", o ato de violência à nossa integridade mental, que acontecerá no centro da cidade de São Paulo, tentará chamar a atenção do Governo do Estado para os "baixos" salários da classe.

Levando-se em conta que a idade média desses profissionais gira em torno de 35 a 60 anos, imagine o impacto que esse ato terá na sociedade. A cena será tão aterradora que duvido muito nosso Governador, José Serra, não dar o tão sonhado aumento. Porque se isso não acontecer é capaz do "Dia do Nu Pedagógico" acabar entrando para o calendário escolar.

22 agosto, 2009

Só mimos salvam


A Folha de São Paulo da última quarta-feira (19) mostrou uma reportagem sobre os "mimos" que muitas universidades particulares oferecem na intenção de atrair um maior número de alunos. De celulares e iPods até academias, tudo é oferecido, menos um ensino de qualidade.

A universidade em que estudo, a Anhembi Morumbi, foi citada na reportagem por oferecer gratuitamente aos seus alunos duas academias equipadas com o que há de melhor no mercado. E levando-se em conta que na avaliação federal a universidade obteve nota 3 (o Índice Geral de Cursos vai de 1 a 5) creio que uma academia não seja a melhor solução para seus alunos.

Mas também levando-se em conta o nível de interesse pelos estudos e o nível cultural dos alunos não é preciso pensar muito em quais motivos levaram a universidade a optar por oferecer academias de graça. Quando seus alunos são criaturas fúteis, verdadeiras cópias dos personagens de "Malhação", o jeito é pelo menos salvar o corpo.

02 julho, 2009

Dando férias à greve


Os funcionários da USP decidiram no último dia 30 o encerramento da greve que durou 57 dias. Mesmo sem terem atendidas suas principais reivindicações (muitas delas absurdas). O estranho é que isso acontece exatamente no início das férias (!). Será que decidiram dar um tempo para esfriarem a cabeça no litoral?

"Companheiros e companheiras, a luta continua daqui 30 dias. Que vamos para Santos \o/".

17 maio, 2009

Não quero ser patrão!


A frase que mais ouço dos professores da minha faculdade é "Quando vocês abrirem suas empresas...". Por que essa fixação em empreendedorismo? Por que nos condicionar a sermos empresários? Por que não posso ter minha liberdade de estudar o que for, ao meu ver, melhor para minha carreira? Será que eu querer seguir carreira como funcionário de uma determinada empresa significa que "penso pequeno" ou que não terei nenhum futuro brilhante? Imagine se todos pensarem em montar suas próprias empresas. Como seria nosso mundo se todos quisessem ser patrões?

Dê uma olhada na foto acima. São pessoas felizes por serem funcionárias.

12 março, 2009

Bolsa burocrática


O ProUni (Programa Universidade para Todos), do Governo Federal, foi criado com o intuito de facilitar o acesso dos menos afortunados ao ensino superior. Seria uma ótima oportunidade se não fosse o grande mal que assola as ações do governo: a burocracia.

Eu, o mais novo bolsista do programa, senti na pele o peso dos encontros e desencontros burocráticos promovidos pelo Ministério da Educação (MEC). Listado entre os 5 selecionados na segunda chamada, minha saga começou com um gasto de R$ 2,50 em cópias de documentos para a comprovação da minha renda familiar e mais R$ 10,00 em passagens. Mal chego na universidade e já sou informado que a relação de documentos fornecida pelo MEC no site do ProUni estava errada. A correta era muito maior. Então, volto para casa já imaginando mais uma sessão de cópias (e mais R$ 8,50) para me atormentar.

Na semana seguinte, volto à universidade (mais R$ 10,00 em passagens). Chego às 9h e saio às 16h30. E antes de efetivar minha matrícula a funcionária me passa outra relação de cópias de documentos, fotos e boletim do ENEM (nada disso fora mencionado antes). E então, saio em busca de uma lan house (mais R$ 2,00) e local para tirar fotos (mais R$ 6,00) pelo centro velho de São Paulo. Aí sim, FINALMENTE, assino o contrato e vou embora feliz da vida (e R$ 39,00 mais pobre).

Todo o processo é tão burocrático e trabalhoso que só faz estimular os candidatos a omitirem informações para não serem recusados. Quem não conhece alguém que omitiu empregos ou familiares, ou que até incluiu pessoas para ratear ainda mais a renda familiar?

Por alguns poucos reais quase sou impedido de tentar a bolsa de estudos. De acordo com o MEC, uma família com 3 pessoas e renda de R$ 1.700,00, por exemplo, poderia arcar com mensalidades de R$ 1 mil (caso do meu curso). Aparentemente não levam em conta questões como contas, comida e dívidas. Aparentemente o ministério acredita que se você quer realmente fazer faculdade essas coisas se tornam supérfluas.

Por tudo isso, não me espanta a enorme quantidade de bolsas ociosas (cerca de 46 mil só no ano passado), e que só irá aumentar, transformando o ProUni no Fome Zero da educação.

12 outubro, 2008

De quem é a culpa?

Vou lhes contar uma pequena história. Tudo começou com um missionário brasileiro que rodava o mundo com sua família. Nessas viagens seu filho mais novo aprendeu apenas duas línguas, japonês e espanhol. Ao voltar com a família ao Brasil o missionário matriculou seu filho mais novo em uma escola estadual de seu bairro na esperança de que pudesse continuar os estudos que teve início no exterior. E nada o desapontou. Seu filho obteve ótimas notas e nunca tinha reclamação de seus professores. Enfim, um aluno exemplar. (continue lendo...)

03 junho, 2008

Péssima lição!


Todo professor estadual reclama de seu salário, de seu emprego, de sua vida, de seu mundo... Enfim, vivem reclamando de tudo e qualquer coisa. Mas quando o Estado oferece cursos de capacitação ninguém aparece. Quando o Estado promove eventos diversos ninguém aparece. Nunca fazem nada por merecer o aumento que tanto pedem. Nunca fazem nada por merecer o emprego que têm.

Hoje acompanhei minha tia, que é Diretora de uma escola estadual aqui de Osasco, em um curso de capacitação de professores em LIBRAS (Linguagem Brasileira de Sinais). Uma ação muito válida da Secretaria da Educação, isso é indiscutível. Mas era só contar o tanto de gente que estava participando da aula para ver a vontade que os professores têm em melhorar seu próprio currículo. Da escola da minha tia foram apenas ela e mais uma professora. O restante não foi por pura preguiça, ou como eu prefiro dizer, por pura vagabundice.

Em mais uma tentativa de melhorar a educação do Estado, nosso Governador José Serra decretou o limite máximo de 6 faltas por ano por motivos médicos. E nem preciso dizer o quanto os professores reclamaram. Afinal, eles se acham superiores a qualquer outro funcionário de nosso planeta e querem faltar quantas vezes quiserem.

Outro motivo de brigas é a obrigatoriedade de uma certa prova anual para avaliar se os professores sabem alguma coisa de suas matérias. Quem não passar será impedido de pegar aulas no ano seguinte. E mais uma vez eles reclamam. Mas aí eu pergunto: para que tanta preocupação? A prova será sobre o conteúdo de sua matéria. Se um professor não sabe coisas que ele deveria ensinar porque então ele está ganhando??? Professor que não presta tem que ir para rua!

Estudei minha vida inteira em escola estadual. Da 1ª série do Ensino Fundamental ao 3º ano do Ensino Médio. Então conheço muito bem as necessidades das escolas e os reais motivos para a nossa educação ser tão ruim. Não é por dinheiro e muito menos por vontade política. É por incompetência de professores e diretores, esses sim os únicos que podem realmente fazer uma enorme diferença dentro de uma escola, mas que ao invés disso preferem perder seu tempo reclamando e reivindicando coisas que não têm direito.

Eu sempre fui e morrerei sendo contra qualquer tipo de greve. E sou ainda mais contra greve de professores. Pessoas que não têm a coragem de assumir suas responsabilidades como educadores e fazer alguma coisa útil pelo futuro dessa joça de país.

18 abril, 2008

Questão de inutilidade


Saber essa questão da Fuvest determina se uma pessoa é capacitada ou não para cursar uma faculdade?

Incentivam o "decoreba" e esquecem que ninguém aprendeu nada, ninguém sabe nada. Apenas passaram alguns anos em cursinhos decorando os resultados das provas. Ignoram habilidades e capacidades características de cada pessoa, coisas que nunca poderão ser medidas com questões absurdas como as que a Fuvest aplica em suas provas. Se você pretende fazer jornalismo ou publicidade para que diabos terá que saber coisas específicas de matemática ou física, já que nada disso fará parte da sua vida acadêmica e profissional?

A educação no Brasil é ridícula. Nos fazem perder tempo decorando ao invés de nos preparar para o mercado de trabalho. Isso mostra o quanto somos atrasados, pobres. Em relação à educação oferecida nos Estados Unidos e Europa dá para ter uma noção do quanto os Governos passados e o atual ignoram a educação.

Já é hora de uma mudança nesse sistema. E uma mudança maior ainda na forma de ingressar nas universidades. Chega de provas idiotas que não mostram nada sobre o candidato. É hora de avaliar as pessoas não pelas coisas sem sentido que elas decoraram, e sim pelo que elas poderão agregar à universidade e pelo seu potencial de sucesso no futuro profissional.
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