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21 julho, 2011

A última taça de vinho dos Walkers

Brothers & Sisters

Acabou. O Universal Channel exibiu ontem (20) o último episódio da série americana "Brothers & Sisters".

Foram 5 temporadas, mais de 100 episódios, e muito, mas muito chororô. Durante as 5 temporadas acompanhamos de perto os dramas, as alegrias e as tragédias dos Walkers, uma rica e conturbada família moradora da ensolarada Pasadena, que ao longo dos anos dividiram seus segredos e suas dores com milhões de espectadores ao redor do mundo.

Criada por Jon Robin Baitz e exibida originalmente pela emissora ABC desde setembro de 2006, "Brothers & Sisters" foi um verdadeiro dramalhão, levantando em cada episódio assuntos como política, homossexualidade, drogas e, claro, relações familiares. E tudo da melhor forma Walker de ser, regado a muito vinho.

Prestigiada pela crítica, "Brothers & Sisters" acumulou 40 indicações em diversas premiações, incluindo Golden Globe e Emmy, e ganhou 10, dos quais 4 foram de melhor atriz para Sally Field como Nora Walker. Com tantos números fica fácil dizer que essa foi uma das melhores séries da TV americana.

Mas como nem tudo são flores em Hollywood, a partir da quarta temporada a série começou a perder um pouco do seu brilho inicial, dando sinais de enfraquecimento. O sinal amarelo acendeu quando Balthazar Getty (Tommy Walker) anunciou sua saída do elenco fixo após desentendimentos com os companheiros de cena. Mais tarde veio a saída de Rob Lowe, descontente com a pouca relevância de seu personagem Robert McCallister.

Com tantos desgastes e rumos equivocados tomados pelos roteiristas a série teve uma inevitável queda de audiência. E com os executivos da ABC descontentes o destino da família Walker foi selado e o cancelamento da série anunciado. Em 13 de maio deste ano "Brothers & Sisters" era exibido pela última vez nos Estados Unidos.

Mas nós fãs continuaremos com os Walkers na cabeça. Será impossível esquecer as brigas, as confusões, os jantares, os choros e as alegrias. Porque assim é família, perdoamos os erros e guardamos para sempre no coração as boas lembranças.
 

25 abril, 2011

Quem tem medo da Patty Hewes?


A novela acabou! "Damages", uma das séries mais prestigiadas do mundo, voltará à TV americana em julho após meses de impasses entre as produtoras. Finalmente Patty Hewes e Ellen Parsons terão mais duas temporadas de vida, para o deleite de milhões de fãs que passaram os últimos meses apreensivos com a notícia do cancelamento da série pelo canal pago americano FX. Pelo novo acordo firmado a DirecTV passará a ter os direitos de produção das novas temporadas e exibição das três anteriores.

Durante três temporadas "Damages" surpreendeu a todos com seu roteiro brilhante e engenhoso de tirar o fôlego e elenco de primeira linha. Também não seria para menos, com Glenn Close numa atuação perfeita como Patricia Hewes, a mais poderosa e respeitada advogada dos Estados Unidos, que fez fama e fortuna vencendo seus casos das formas mais obscuras possíveis, não respeitando ética, moral ou leis. Para Patty o fim sempre justifica os meios, não importando quais danos cause pelo caminho. A perfeição com que Glenn Close dá vida à protagonista já lhe rendeu 13 indicações de melhor atriz, das quais ganhou 3. Quem já sentiu frio na espinha apenas com aquele olhar frio e penetrante sabe que essas indicações foram mais do que merecidas.

Sempre baseando suas histórias em acontecimentos ou pessoas reais, apenas adicionando os elementos ficcionais necessários para dar a característica já conhecida da série, "Damages" teve em sua eletrizante primeira temporada (iniciada em 2007) a guerra travada entre Patty Hewes e um empresário que levou à falência sua companhia roubando o dinheiro dos acionistas. Nessa temporada conhecemos Ellen Parsons, uma jovem recém-formada na faculdade de Direito que, após ser contratada para o emprego dos seus sonhos, passa a conhecer o mundo de Patty Hewes e seus métodos de trabalho escusos e pouco republicanos.

Para a segunda temporada Patty voltou ainda mais fria para lutar contra uma indústria química que causou danos ao meio ambiente. Até agora essa é a melhor temporada da série, com Glenn Close ainda mais assustadora e cenas de fazer você não querer desgrudar os olhos da TV por um minuto sequer. E é na segunda temporada que Ellen passa da ingênua recém-saída da faculdade para uma verdadeira funcionária de Patty Hewes.

A terceira temporada, a menos empolgante, mas não pior, teve como foco a maior fraude corporativa da história americana. E coube a Patty a recuperação do dinheiro, da forma que só ela sabe fazer, claro.

Para a quarta temporada, que terá 10 episódios, os criadores e produtores da série Daniel Zelman, Glenn Kessler e Todd Kessler anunciaram que Patty brigará contra uma companhia de segurança contratada pelo Governo para atuar no Iraque.

Com esse tema explosivo tudo indica que a volta de "Damages" não deixará nada a desejar. Prenda a respiração e espere por mais intrigas e jogadas de mestre de Patricia Hewes.

20 março, 2011

Uma mulher na presidência. Dos Estados Unidos


Todo esse circo em torno da vinda ao Brasil do Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, me fez lembrar uma das séries de maior prestígio da TV americana, "Commander in Chief", exibida pela rede de TV aberta ABC entre 2005 e 2006.

Criada por Rod Lurie e estrelada por Geena Davis, "Commander in Chief" nos leva para conhecer a vida de Mackenzie Allen, uma promissora congressista independente do Estado de Connecticut e reitora da University of Richmond que fora escolhida pelo candidato do Partido Republicano Theodore Roosevelt a assumir o cargo de Vice-Presidente. Com a morte de Theodore provocada por um aneurisma Mackenzie ascende à presidência, tornando-se a primeira mulher a comandar a nação mais poderosa do planeta.

Os desafios de Mackenzie mostram-se maiores do que o imaginado quando ela se vê em meio a guerra pelo poder entre Republicanos e Democratas, e tendo que lidar com a descrença na sua capacidade de liderança por ser mulher e não ter partido. É o momento em que ela precisa impor seus ideais liberais de ex-congressista independente e mostrar que sua visão feminina e humana é o bastante para lidar com as questões do poder como "líder do mundo livre".

Não bastando os problemas da presidência, Mackenzie ainda precisa conciliar a vida pública com a particular. Como ser mãe e esposa ao mesmo tempo em que resolve um caso de terrorismo ou uma crise diplomática? Como lidar com o marido que não aceita o fato da esposa ser mais bem-sucedida do que ele? O que fazer com filhos problemáticos que perderam a presença materna?

Com ótimo roteiro e atuações primorosas, "Commander in Chief" teve tudo para ser um grande sucesso. As 14 indicações mais o Globo de Ouro de melhor performance recebido por Geena Davis mostram isso. Mas as premiações e elogios da crítica e do público não foram o suficiente para acabar com os desentendimentos entre a equipe e a emissora, levando ao cancelamento da série logo em sua primeira temporada.

Para sanar algumas questões não explicadas ao longo dos 18 episódios e dar uma nova visão à história, a ABC anunciou em 2006 que a série viraria filme, porém, os desentendimentos do criador, Rod Lurie, com a emissora também enterraram mais esse outro projeto.

Aos fãs de "Commander in Chief" resta apenas apreciar essa ótima produção com o box especial que inclui, além dos 18 episódios completos, extras bem esclarecedores sobre a produção e os motivos que levaram ao cancelamento da série. Àqueles que gostam de histórias sobre política e poder, fica aí uma ótima dica.


12 março, 2010

Eu amo o lixo ianque!


Acabo de assistir a segunda temporada da série americana "Damages", uma das melhores produções a que tive o prazer de assistir. A história é incrivelmente bem elaborada, instigante e surpreendente. Passei cada minuto grudado no sofá praticamente sem respirar e com o coração na mão. As atuações, claro, são as melhores possíveis. Glenn Close está memorável, impecável, diabólica. Interpretando a personagem principal, a advogada Petty Hewes, ela entrou para a minha seleta lista de preferidos.

Ao final do último episódio uma pergunta me veio à cabeça: com uma produção desse nível como pode aquele tal assessor do Governo Lula com tendências comunistas, Marco Aurélio Garcia, dizer que tudo o que passa na TV paga é puro "esterco cultural"? Essa é uma afirmação que não se encaixa no contexto da realidade. Será mesmo que ele estava falando sério? Ele realmente se sente nos tempos da revolução cubana e ainda acredita numa invasão americana, dessa vez disfarçada de produções de qualidade? "Oras, como se atrevem vir encher nossas cabeças com esse lixo de primeira linha?!", ele deve pensar. Malditos americanos e sua criatividade sem igual!

Garcia deve ser um amante fervoroso de Sônia Abrão, Ratinho e novelas. Até consigo imaginá-lo sentado na sala da casa grande com sua família, a bandeira cubana ao fundo e na TV somente a genuína programação tupiniquim, a verdadeira qualidade brasileira. Ou seria ele um hipócrita que não perde um só episódio de "House"?

O motivo do enorme sucesso no Brasil de programas americanos não seria a horrorosa qualidade da programação da TV aberta? Afinal, a principal ideia da democracia é exatamente essa, termos o direito de escolher. E escolhemos o que é bom para nós. Escolhemos "Desperate Housewives" ao invés de "Toma Lá Dá Cá", "Damages" ao invés de "Caminhos do Coração".

E se o cinema nacional definha ante o crescimento do cinema hollywoodiano talvez a culpa seja do próprio cinema nacional. Qualquer acéfalo preferiria assistir "Preciosa" ao invés de "Se Eu Fosse Você" ou qualquer uma daquelas produções pseudo-cults que pipocam no cinema tupiniquim.

Querido Garcia, admita. Quase tudo o que produzimos é lixo. Intragável e inconsumível. Se escolhemos as brilhantes produções americanas que dominam a TV paga é porque elas são minimamente mais agradáveis do que qualquer porcaria exibida sábado à tarde a TV aberta.

01 dezembro, 2008

Desesperado com as donas-de-casa

Graças à magia do DVD me rendi aos encantos das donas-de-casa mais lindas e cativantes de todo o mundo. Estou falando de "Desperate Housewives", série de Marc Cherry, originalmente transmitida pela emissora americana ABC (a mesma de "Lost" e "Ugly Betty"), e que já está em sua quinta temporada por lá (aqui a quarta temporada é transmitida pelo canal Sony na TV paga). (continue lendo...)

25 maio, 2008

Nada de leitura, querido


Assistindo a 4ª temporada de "Will & Grace" uma cena muito me chamou a atenção: Karen e Will conversavam sobre um livro em comum que estavam lendo. e Karen disse que não tinha com quem comentar sobre o tal livro, e que não deixava os empregados de sua mansão lerem porque a leitura poderia levar à liberdade.

Creio que no Brasil seja usada essa filosofia...

04 setembro, 2006

O mensageiro está vindo...


É possível falar sobre gays, AIDS e drogas de uma forma inteligente e comovente? Tony Kushner mostrou com "Angels in America" que sim.

Ganhador de 5 prêmios do Globo de Ouro (incluindo melhor filme para TV/mini-série) e 11 prêmios do Emmy (um deles também de melhor filme para TV/mini-série), "Angels in America" foi baseado na peça homônima de Tony Kushner, ganhadora do prêmio Pullitzer, e mostra a explosão da AIDS nos Estados Unidos, em 1985.

Religião, vícios, problemas familiares, luta contra AIDS, homossexualidade. Tudo é abordado neste filme. E tudo de uma forma bela e sensível, sem estereótipos e pudores.

18 maio, 2006

Diga boa noite, Gracie


Vai ao ar hoje à noite, na NBC, o último e memorável episódio de 2 horas da série mais famosa, comentada, polêmica e sem preconceitos já produzida por uma emissora aberta dos Estados Unidos, "Will & Grace".

Amizade, namoros, brigas, sexo, preconceitos. Tudo isso fez parte da vida da louca Karen e seus remédios, do desvairado Jack e seus namoros-relâmpago, da Grace e sua vida sem rumo e do Will, advogado bem sucedido, engraçado e companheiro mas que, mesmo assim, não encontra a pessoa certa.

Em 8 anos de exibição "Will & Grace" mudou o modo como os americanos viam os gays. Um programa que consegue ficar tanto tempo sem nenhum clichê ou estereótipo já pode se considerar um exemplo a ser seguido e um marco na TV mundial.

Diga boa noite, Gracie.
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