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06 outubro, 2010

Agressão dos sem razão

A agressão, seja ela física ou verbal, é a resposta de quem não tem razão. Quando a pessoa não encontra argumentos plausíveis para rebater alguma crítica que a desagradou ela parte para os insultos e os ataques deliberados, na tentativa inútil de desqualificar seus "inimigos".

Podemos ver essa tática sendo largamente utilizada por Lula e seus companheiros do PT. A cada nova reportagem com revelações do submundo do seu Governo, nosso Presidente ataca, insulta e ameaça a imprensa, na tentativa de transformá-la no "vilão-capitalista-golpista-imperialista". E essa tática de desespero também está sendo muito utilizada contra mim pelos meus ex-colegas de trabalho, na tentativa de desmerecer o texto "Moralidade, orgulho e outras histórias", no qual falo sobre o funcionamento da Secretaria de Economia e Planejamento, meu local de trabalho por quase dois anos.

Entre insultos, inverdades e erros primários da língua portuguesa, essas pessoas, a quem outrora depositei confiança e amizade, me julgam incapaz de dizer as verdades que descobri enquanto compartilhamos o mesmo local de trabalho. E ainda me julgam incapaz de pensar sozinho. Alguns deles dizem que tudo não passou de "articulação maniqueísta" de terceiros, pois sou "imaturo demais e não possuo escolaridade suficiente para ter as opiniões que tenho". Mas acredito que eu, um ser pensante, livre e não alienado, tenho total capacidade de discernimento entre o certo e o errado, ao contrário de muitos dos meus ex-colegas, que deixam suas limitações éticas, morais e mentais interferirem em seus julgamentos.

Aqueles que me condenam por manter firme minhas opiniões são pessoas facilmente influenciadas por favores, garantias de emprego e pelas promessas de fazer parte do "grupinho do chefe". No setor público, e em especial na Secretaria de Planejamento, é assim: "você faz o que eu quero e deixo você fazer parte do meu círculo de puxa-sacos". Daí a explicação para surgirem aqui no blog tantos comentários mal intencionados e sem qualquer propósito válido.

Pessoas sem personalidade, sem coragem, com muito espaço vazio na cabeça e que apenas absorvem as opiniões alheias, são dignas de pena. Pena por serem pessoas com grande potencial para fazer maravilhas no meio em que trabalham, mas que se tornam inúteis por deixarem sua capacidade ser ofuscada pela ignorância e inércia.

11 setembro, 2010

Meu direito de resposta

Desculpem mas como tem babacas nesse blog, a começar pelo dono. Trabalho no TCE
e nunca vi uma denuncia contra o Planejamento. Além disso é DESNECESSÁRIO fazer
licitação para locação de prédios públicos. Só isso já tira a credibilidade
desse estelionatário chamado Tiago. ALÔ POLICIA FEDERAL!!!! OLHO NELE!!!! quanto
ele está ganhando do pt?? iSSO É CHANTAGEM!!! Vamos meter esse vagabundo na
midia!!!! Vejam o exemplo da EXTORSÃO na Receita Federal!!! Alô Policia
Federal!! Olho nele!!!!!!!!!


Com toda a sutileza de um elefante e um inigualável conhecimento da língua portuguesa, o comentário acima foi deixado por um anônimo no post "Moralidade, orgulho e outras histórias", onde falo sobre minha saída da Secretaria de Economia e Planejamento do Governo do Estado de São Paulo. Como o cidadão levantou suspeitas sobre o que eu disse no texto, quero aqui exercer meu direito de resposta [político no debate mode: on]:

1. Com tantas irregularidades documentadas e divulgadas pela imprensa não deveria levantar suspeitas o Tribunal de Contas do Estado (TCE) não abrir nenhum processo para averiguar e punir os responsáveis pelas obras inexistentes ou pelos cambalachos políticos envolvendo a Secretaria? Um grande exemplo foi o caso com a TV Globo. Após reportagens da TV Record denunciando o roubo de um terreno público ao lado da sede Paulista da TV Globo para transformá-lo em praça privativa, "foi necessária" a mudança de parte da Secretaria para um novo prédio. Coincidência ou não, o novo prédio abrigou os escritórios da TV Globo. O TCE nada fez, e muito menos expressou comentários sobre o caso. Acredito que quem não tenha credibilidade seja o próprio TCE.

2. O prédio onde hoje funciona a sede da Secretaria foi alugado por um valor total de mais de R$ 11 milhões com a desculpa de "ser bem localizado" e próximo ao Palácio dos Bandeirantes, sede do Governo do Estado, sendo que no centro da Capital há diversos imóveis vazios e muito mais baratos do que o alugado na região da Avenida Paulista, um dos locais mais caros do Brasil.


Será que essa locação teve como principal "motivo" o dono do imóvel, Jorge Miguel Yunes, que é um velho amigo de políticos? Acredito que isso por si só já mostra a irresponsabilidade com o uso do dinheiro público.

Lembrando também que a denúncia foi feita pela Folha de São Paulo, e não por mim, como vocês podem ver através
deste link, devidamente informado no texto "Moralidade, orgulho e outras histórias".

3. Estelionato (Art. 171) Obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil, ou qualquer outro meio fraudulento.

4. Com uma rápida passada pelos diversos textos do meu blog é fácil constatar que não sou o que chamam de "companheiro" do Presidente Lula e do PT. E acreditem, se eu recebesse algum centavo de qualquer partido que seja jamais teria em meu blog textos criticando a política brasileira, em especial a praticada em meu Estado. Meus textos são escritos tendo como base meu senso crítico, político e ético. O que não agrada a todos, claro, pois cada um tem suas próprias convicções, crenças e pensamentos. A diferença entre essas pessoas e eu é que jamais deixo minhas crenças me cegarem para os fatos. Sugiro a todos que façam o mesmo.

06 setembro, 2010

Moralidade, orgulho e outras histórias



A palavra "exoneração" ganhará nova definição a partir de hoje. A partir deste momento "exoneração" significará liberdade. Liberdade para seguir o que acredito, liberdade para tomar as decisões que acredito serem as melhores para mim.

É de conhecimento de todos o nojo que sinto pelo ambiente político brasileiro e o quanto desprezo o trabalho burocrático e emburrecedor que movimenta a máquina pública. Em meu código de ética está escrito em letras garrafais a busca pelo fim da corrupção denunciando irregularidades com o uso do dinheiro público e o acompanhamento da atuação dos poderes municipal, estadual e federal no que diz respeito ao meu dever como cidadão brasileiro. Posto isso, o que dizer da situação de fazer parte de uma equipe dedicada a maquiar e ludibriar a população com a fantasia de fazer um trabalho sério no trato com o dinheiro público?

Integrei desde fevereiro de 2009 a equipe de auditoria de contas públicas da Secretaria de Estado de Economia e Planejamento do Governo de São Paulo. Meu trabalho consistia em analisar as prestações de contas das Prefeituras Paulistas de obras feitas com recursos estaduais repassados a título de troca de apoio político. Em pouco mais de um ano fui obrigado a ir contra tudo o que anseio em uma sociedade desenvolvida e um Estado forte e transparente. Fui obrigado a aprovar contas de uso do dinheiro público mesmo quando era clara sua ilegalidade. E tudo isso por um salário 5 vezes menor do que deveria ser, tendo em vista a importância da função desempenhada. Vi meu nome escrito em pareceres fajutos aprovando processos fraudulentos.

Numa rápida busca pela Internet encontraremos diversos casos envolvendo a Secretaria de Economia e Planejamento. A mais célebre de todas ficou sendo o episódio em que o Danilo Gentili, repórter do programa "CQC" (Band) apanha de funcionários e do ex-Prefeito da cidade de Analândia, interior do Estado, ao mostrar irregularidades envolvendo uma obra tocada pela Prefeitura. A obra em questão era o sistema de coleta do esgoto da cidade que nunca existiu, mas que teve o dinheiro repassado e suas contas aprovadas pelo Departamento de Apoio ao Desenvolvimento das Estâncias (DADE), hoje sob o guarda-chuva protetor da Secretaria de Economia e Planejamento. (assista a parte 1 e parte 2 da reportagem).

Na Internet você também encontrará a reportagem do jornalístico matutino "São Paulo no Ar" (TV Record) mostrando uma rua da cidade de Mairiporã, na Grande São Paulo, que nunca viu asfalto, mas que teve dinheiro repassado integralmente para a obra, suas contas foram aprovadas, e consta como concluída pela Prefeitura. A obra teve a verba repassada pelo Fundo Metropolitano de Financiamento e Investimento (FUMEFI), também sob a proteção da Secretaria de Economia e Planejamento.

E o que dizer da descoberta do esquema de fraudes em licitações promovidas pela Prefeitura de Monte Aprazível, também no interior do Estado? A Secretaria de Economia e Planejamento assinou diversos convênios com essa cidade, mas se diz "surpresa" com o caso. É realmente possível uma secretaria com a importância como a do Planejamento não ser capaz de detectar irregularidades em licitações como as encontradas pela polícia e pelo Ministério Público?

Mas daí você pergunta: "Só de escândalos envolvendo obras públicas vive o Planejamento?". Não, caro leitor. Eles também partiram para contratos duvidosos, como o que prevê o aluguel do prédio onde hoje se encontra sua sede por mais mais de R$ 230 mil mensalmente, durante 4 longos anos, sem qualquer tipo de licitação. E como não poderia deixar de ser, pelo contrato serão pagos, no total, mais de R$ 11 milhões a um velho conhecido dos políticos, dono do imóvel.

Não há consciência cívica e política que aguente por muito tempo toda essa imundície que há anos se aloja no poder público. E não há o que fazer para mudar essa situação quando todos ignoram o fato e até lutam para continuar do jeito que está. Manter-se correto no ambiente em que pessoas ganham favores e presentes de políticos como forma de agrado pelo "bom serviço prestado" é desgastante. Muito desgastante. E para conquistar algum cargo com um bom salário nunca é levado em conta se o funcionário se dispõe a desempenhar da melhor forma possível suas funções. Isso é o que menos importa para o Governo. Os quesitos realmente valorizados são parentescos ou uma inegável capacidade de beijar mais bundas no menor tempo possível (chamam isso de "fazer política"). Mas afinal, se meu trabalho em si não será valorizado e sim meu grau sanguínio com alguém importante ou o quanto aguento puxar saco, qual o sentido de continuar trabalhando? Qual o sentido de desempenhar esse trabalho sendo que minha capacidade nunca será reconhecida e valorizada?

Um ano e alguns meses depois, chego a essas conclusões e decido por entregar meu cargo, uma vez que não terei valorizados minha bagagem cultural, meu histórico e muito menos meu senso crítico (diziam que essas coisas são o resultado de minha "imaturidade"). Deixo para trás pouco mais de um ano que poderia ser completamente esquecível, não fosse por pouquíssimas pessoas realmente inesquecíveis. De lá levarei essas poucas e boas amizades, e tentarei esquecer as coisas revoltantes.

Então, a partir de agora, é voltar à estaca zero (se é que eu já não estava lá...) e finalmente encontrar algo que seja gratificante, digno e que valha o esforço.

17 agosto, 2010

Piada do funcionalismo público

Recebi por e-mail um pequeno conto bobo em forma de piada, mas que fala sobre a maior verdade que ronda o funcionalismo público.


O cara termina o segundo grau e não tem vontade de fazer uma faculdade.

O pai, meio mão de ferro, dá um apertão:

- Ahhh, não quer estudar? Bem, perfeito. Vadio dentro de casa eu não mantenho, então vai trabalhar...

O velho, que tem muitos amigos, fala com um deles, que fala com outro até que ele consegue uma audiência com um político que foi seu colega lá na época de muito tempo atrás:

- Rodriguez! Meu velho amigo! Tu lembra do meu filho? Pois é, terminou o segundo grau e anda meio à toa, não quer estudar. Será que tu não consegue nada pro rapaz não ficar em casa vagabundeando?

Aos 3 dias, Rodriguez liga:

- Zé, já tenho. Assessor na Comissão de Saúde no Congresso, R$ 9.000,00 por mês, pra começar.

- Tu tá loco! O guri recém terminou o colégio, não vai querer estudar mais, consegue algo mais abaixo...

Dois dias depois:

- Zé, secretário de um deputado, salário modesto, R$ 5.000,00, tá bom assim?

- Nããão, Rodriguez, algo com um salário menor, eu quero que o guri tenha vontade de estudar depois... Consegue outra coisa.

- Olha Zé, a única coisa que eu posso conseguir é um carguinho de ajudante de arquivo, alguma coisa de informática, mas aí o salário é uma merreca, R$ 2.800,00 por mês e nada mais...

- Rodriguez, isso não, por favor, alguma coisa de R$ 500,00, R$ 600,00, pra começar.

- Isso é impossível Zé!

- Mas, por quê?!

- Porque esses são por concurso, precisa de título superior, mestrado, currículo, bons antecedentes, experiência prévia... É difícil!

09 agosto, 2010

Esclarecimentos

Algumas pessoas me criticam por falar mal do meu local de trabalho, a Secretaria de Economia e Planejamento do Governo do Estado de São Paulo. Mas o que essas pessoas não percebem é que meus comentários e minha clara indignação pelo modo como funciona esta Secretaria são feitos como cidadão e pagador de impostos. Todos nós temos o direito de saber o que acontece dentro dos órgãos públicos e o dever de cobrar melhorias.

Como funcionário desta Secretaria a pouco mais de um ano pude ver abertamente como funciona o Governo. Aprendi que não importa o partido no comando ou a história política de nossos governantes, o fisiologismo e a pouca importância com o bom andamento do sistema são regras seguidas à risca. A máquina estatal é gorda e lenta para satisfazer o prazer odioso pela burocracia que propicia a corrupção, tornando a transparência do poder público algo para ser visto apenas em livros de contos de fada.

A importância que dou ao ambiente político livre dessa sujeira de politicagem é vista como imaturidade. Dizem que "o Governo é assim", que "sem maracutaias e coleguismos não há política". Acontece que ter esse tipo de pensamento é o que faz ainda existir em nosso país absurdos como Paulo Maluf, "aloprados do PT", mensalão e outros casos mais que ficarão marcados para sempre na história política de terceiro mundo do Brasil. Enquanto as pessoas não acordarem para o que realmente importa e deixar de pensar que política é um caso secundário continuaremos esse país pobre, burro e atrasado.

07 fevereiro, 2010

Férias!


Exatamente hoje, 7 de fevereiro, completo 1 ano de trabalhos exaustivos na Secretaria de Economia e Planejamento. E como estou há quase 2 anos sem férias nada mais justo do que 30 dias de liberdade à minha mente e ao meu corpo. Terei um longo descanso do estresse do trabalho, do blog e de algumas várias pessoas. Quero 30 dias para renovar as energias e começar tudo de novo, mas dessa vez melhor, porque eu mereço. Só não tirarei férias do Laskakumbuka. Nesses 30 dias de pernas para o ar continuarei dando pinta por lá.

Então é isso. Ficamos assim? Até o mês que vem!

27 outubro, 2009

Uma mulher com muita assunta

Depois do Redondo Souto, minha lista de autoridades bizarras encontradas no meu trabalho ganha mais um nome: Assunta Maria Labronici Gomes, Prefeita da cidade de Boituva, interior de São Paulo.

Agora me diz se não é para bater nos pais dessa pessoa? Depois ninguém entende porque a pessoa cresce problemática...

01 outubro, 2009

Os amigos do "chefinho"

Quando seu colega da mesa ao lado passa a fazer amizade com o chefe ele fará de tudo para mostrar à todos os demais que é superior, que merece respeito e que poderá fazer o que bem entender, afinal, "ele é amigo do chefinho". Sim, porque para alguns poucos idiotas isso é um tipo de elevação do status.

Ter um contato mais próximo daquele que manda no setor não é prejudicial só ao bom andamento dos serviços (se o amiguinho não fizer um bom serviço ele nunca terá a atenção chamada pelo chefe), como é muito prejudicial para o bom relacionamento com os demais funcionários. Afinal, ninguém quer ver suas conversas e atos levados ao "chefinho" por um puxa saco qualquer.

Outra coisa que sempre acontece (principalmente em órgãos públicos, como no que eu trabalho), os que detêm o "poder" adoram entupir os setores com seus amigos e parentes. Isso, claro, é para manter o "controle", seja dos demais funcionários, seja para o serviço sair ao seu modo (mesmo que porcamente). Com seus contatos infiltrados os chefes sabem e ouvem tudo. Criam um clima de prisão, onde nossos passos são seguidos de perto, nossas conversas só faltam ser gravadas e nossos horários cronometrados religiosamente. Tudo em nome do que? Será que é medo daqueles que podem "roubar" o cargo do estimado "chefinho"? Ou será que a mulherada odeia "rivais"? Você não compra isso, não compactua com aquilo, pronto, entra para a lista negra dos "amigos do chefinho", uma liga ávida por barracos e transtornos. Tudo em nome do que? Coisas que nunca seremos capazes de entender...

24 agosto, 2009

Falando bonito


O ser humano, por sua natureza, sempre busca a superação sob seu adversário. Seja em ambientes de trabalho, relacionamentos ou qualquer outro momento que tenha possíveis "inimigos".

Não precisa procurar muito para encontrar bons exemplos desse tipo de comportamento. Um homem agarrando sua namorada/esposa (ou como preferente dizer, "sua mulher") no meio da rua é para demonstrar posse na esperança de que os demais homens saibam que ali não podem se meter, "aquela mulher tem dono".

Na política a fala "culta" soa como tentativa de elitizar a imagem pessoal, se distanciando dos pobres e criando uma bolha em volta de si que supostamente passaria a imagem de ser uma pessoa superior. Se valendo da mesma tática, em ambientes de trabalho a demonstração de “poder” também fica por conta do uso de palavras rebuscadas e difíceis, com o intuito de despertar “admiração” pela suposta superioridade dos que ocupam cargos mais altos.

Acredito que as pessoas agem dessa forma para suprir algo que lhe falta. Políticos fazem isso para mostrar ao povo que neles podem confiar, pois são “letrados, cultos e entendem do mundo”. Um homem que segura a namorada como se fosse um pedaço de carne o faz para que os demais não tenham o interesse despertado. E no trabalho? Bom, no trabalho a resposta é mais simples. As pessoas (normalmente de cargos superiores) agem de tal forma para desviar a atenção de sua completa falta de competência.

Ao fazer uma pergunta qualquer ao seu chefe você verá que ele fará rodeios, dirá palavras bonitas e no fim das contas você continuará sem uma resposta satisfatória. E você nunca poderá dizer que ele é burro feito uma porta, afinal, ele respondeu de uma forma culta, supostamente inteligente e que, até então, não deixaria dúvidas.

É, falar bonito, às vezes, garante seu emprego.

14 agosto, 2009

Ambiente sujo

Sabemos quando o ambiente de um local de trabalho não é dos melhores quando você sente enjoo assim que coloca os pés no prédio. Mas o que leva o local de trabalho ser um completo inferno?

Em se tratando de um órgão público os motivos são vastos. Dos serviços burocráticos sem motivos até o inesgotável favorecimento a parentes e amigos, em detrimento aos concursados, legítimos detentores dos direitos oferecidos pelo Estado.

No Estado o mal maior se chama "comissionado". Funcionários com o rabo preso que ocupam cargos que poderiam ser de pessoas que passaram em concursos públicos por mérito próprio. E como se não bastasse, recebem salários exorbitantes se comparados aos que nós, concursados otários, recebemos. E isso para desempenharmos exatamente o mesmo serviço.

Lembro a todos que isso não significa que todos os funcionários com cargo em comissão trabalham apenas para sugar as tetas inesgotáveis do Estado. Muitos deles desempenham suas funções adequadamente, dando um brilho necessário aos órgãos públicos. Mas infelizmente é uma minoria.

O que acho mais engraçado é que ainda me perguntam "porque estou tão desmotivado". Não sei exatamente... Será que é porque recebo 4 vezes menos do que os de rabo preso? Será que é porque recebo míseros R$ 4,00 por dia para almoçar, quando o meu gasto é de pelo menos R$ 15,00? Mas também acho que o grande motivo, acima de tudo, é eu desempenhar um serviço de enorme importância para a população Paulista e receber pouco mais de R$ 600,00 por isso. Sem incentivos ou gratificações. E, claro, sem o menor preparo para tal função.

Somado ao desgosto profissional causado pelos motivos financeiros, há os motivos interpessoais. Pessoas que de inteligência podem ser comparadas às portas do banheiro, viram "chefes" pelo simples motivo de conhecerem as pessoas certas. A meritocracia é jogada no lixo para dar lugar ao coleguismo inconsequente. Quando um cargo é "criado" para dar lugar ao coleguinha chorão desempregado os que mais sofrem (se assim posso dizer) são os demais funcionários, que são obrigados a aguentar desaforos, engolir erros alheios e sorrir em momentos em que a única vontade é surrar a pessoa até a morte.

04 agosto, 2009

Soltando o redondo

Posso ter o pior emprego do mundo, mas algumas coisas realmente compensam este inferno público. Uma delas é saber que o Prefeito da cidade de Guatapará, interior de São Paulo, tem um nome incrivelmente peculiar: Samir Redondo Souto.

Tenho pena de imaginar como deve ter sido a infância dessa criatura...

18 julho, 2009

Falsidades do ofício

Nos dias de hoje a falsidade entre as pessoas passou a ser um comportamento aceito abertamente e muitas vezes incentivado, principalmente em ambientes de trabalho, seja ela por pura maldade ou simplesmente para ser aceito em um determinado grupo. Seria o que eu chamo de "falsidade institucionalizada".

Mas falsidade em excesso traz algum benefício? Como classificar se tais atitudes extrapolam ou não os limites aceitáveis da falsidade? E será mesmo que existe um limite aceitável? Se existe, qual seria esse limite?

Os momentos em que melhor podemos "medir" o nível de falsidade de um local de trabalho são as festas. Festas são tradicionalmente os momentos onde os colegas de trabalho exercem com muito afinco o lado "amigo". Abraços para cá, beijinhos para lá e parabéns para todo os lados. Os sorrisos são largos e as piadas sem graça acompanhadas por risadas forçadas. E todos (ou quase todos) colocam em prática seus planos para agradar o chefe, coisa que nunca surte efeito, pois a lista de "preferidos" já está fechada.

Pessoa realista como sou, faço do meu relacionamento profissional um roteiro direto e claro, contendo no máximo palavras como "oi", "tchau" e limitando-me às questões relacionadas ao meu serviço. Isso faz de mim uma pessoa antissocial ou estritamente profissional?

Não direi que nunca tentei ao menos soltar um sorriso amarelo ou um "oi, bom dia" mesmo a contragosto. Mas por diversas vezes percebi que não sou capaz disso, não consigo demonstrar o que não sinto pela pessoa a quem me dirijo. Talvez seja pela minha criação ou é realmente teimosia. O que sei é que falso eu não sou, e falso eu nunca serei. Então, parabéns eu não dou!
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