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12 agosto, 2011

Pedestre X Motorista

Pateta é o Senhor Willard, O Motorista
“A pessoa está vendo que estou de carro. Ela tem que sair da minha frente”. Essa frase, dita por minha tia enquanto manobrava seu carro no estacionamento de um supermercado, deixa evidente o que milhões de pedestres sabem há décadas: a grande maioria dos motoristas é composta por seres babacas desprovidos de civilidade, e que demonstram enorme incapacidade de conviver em harmonia com quem não está motorizado.

O trânsito brasileiro é uma verdadeira guerra, e quem mais sai perdendo são aqueles que não possuem uma armadura motorizada para protegê-los: os pedestres. Na cidade de São Paulo, das 1.357 mortes no trânsito ocorridas em 2010, 630 foram de pedestres (dados da Secretaria Municipal de Transportes). E não é difícil entender porque tantas pessoas perderam a vida enquanto apenas caminhavam pelas ruas da cidade. Bastam alguns minutos observando o comportamento dos motoristas para surgirem cenas de imprudência, desrespeito e absurdas demonstrações de incivilidade.

Diante de tantas barbaridades no trânsito que causam risco à vida de pedestres, a Prefeitura de São Paulo criou o Programa de Proteção ao Pedestre, um conjunto de medidas que visam a “valorização” do pedestre por meio de ações educativas e punitivas (com multas de R$ 85,12 a R$ 191,53). E, quem diria, logo no primeiro dia da aplicação das multas 20 pessoas foram atropeladas na cidade, o que mostra que nem com conscientização e colocando a mão no bolso os motoristas consideram a possibilidade de respeitar quem é mais fraco.

Toda essa brutalidade no trânsito, claro, não é de agora. O que vemos hoje nas ruas é fruto de décadas de descaso do poder público, sempre negligente e omisso, optando por favorecer o transporte individual, criando assim cidades cada vez mais hostis com os pedestres.

O carro traz liberdade, dá status, aumenta a autoestima. Não à toa é um verdadeiro sonho de consumo para a maioria dos humanos. Por isso, para essas pessoas, tentar “atrapalhar” seus desfiles pelas ruas da cidade mostrando a potência dos seus motores, o brilho da pintura da carroceria e o conforto dos seus bancos é um ultraje, um desrespeito ao seu direito de usufruir das ruas que são, na cabeça deles, de sua propriedade. “EU TENHO QUATRO RODAS E SOU 1.6! ME RESPEITE!”, devem pensar eles.

Enquanto as pessoas tiverem essa noção torta de que são imbatíveis e que ganham poderes que os transformam em super-humanos quando estão atrás do volante de seus carros, e que os pedestres só estão nas ruas para atrapalhar seu caminho, será impossível enxergar civilidade no trânsito das grandes cidades.

20 junho, 2011

Democracia à brasileira?


Imagine um país onde discordar dos demais é considerado crime. Um país onde a liberdade de pensamento não é vista com bons olhos quando esse pensamento não vai de acordo com o que parte da população pensa. Nesse país as pessoas clamam por punição àqueles que não seguem o que eles julgam ser correto. Esse país poderia ser considerado democrático?

Há vários meses vemos um entediante embate em torno do projeto de lei 122/2006, aquele famoso por criminalizar a homofobia. De um lado dessa briga está o "povo de deus" com seus dogmas ultrapassados e opiniões duvidosas sobre como a sociedade deve viver sua vida, mas que está no pleno exercício de seu direito de criticar e não aceitar a homossexualidade. Do outro lado encontramos alguns gays querendo impor à força que todos os aceitem do jeito que são, ameaçando de prisão àqueles que pensem o contrário.

Vendo os discursos inflamados dos gays fico apenas com uma pergunta em mente: Quando foi que "ser aceito" tornou-se mais importante do que "ser respeitado"? Gays revoltados reivindicando a liberdade de serem gays ao mesmo tempo em que lutam pela aprovação de uma lei que torna crime alguém exercer seu direito constitucional de emitir uma opinião contrária à "causa gay" me causa um enorme desconforto. Querem, pela força da lei, deturpar o princípio básico da democracia em nome de uma imbecilidade criada por pessoas que parecem não entender o que é exatamente o conceito de um país democrático.

Faz sentido condenar à prisão uma pessoa apenas por ela não compartilhar da mesma opinião dos demais? Que sociedade queremos ser proibindo as pessoas de emitirem opiniões ou exercer suas religiões? Que sociedade é essa em que gays se consideram cidadãos de primeira classe e inatingíveis, quando a Constituição diz que todos são iguais e livres? - O que não está em discussão no momento é a violência e incitação ao ódio contra os gays. Assim como qualquer crime do gênero esse deve ser punido conforme o que já prevê a lei.

Muitos já leram em meu blog textos em que critico certas atitudes e pensamentos religiosos e alguns acontecimentos políticos, e que continuo a escrever por mais que minhas opiniões não agradem parte dos leitores. Isso só é possível porque vivo em um país onde sou livre para opinar tendo como base meus conhecimentos, crenças e ideologia. Esse é um direito que eu, cidadão brasileiro, não abro mão. Por que então tirá-lo de outros?

Uma sociedade democrática se constrói com debates e discussões, não com a imposição de determinadas ideias ou ideais que alguns julgam serem mais corretos. Uma sociedade igualitária se constrói com respeito à liberdade individual de pensamento, religião e orientação sexual, por mais que você possa não aceitar. Uma sociedade digna de se viver é aquela em que os cidadãos se sintam seguros e livres para expor o que pensam sem medo de serem julgados e condenados. E é por esse tipo de sociedade que todos nós devemos lutar.

21 maio, 2011

A lição dada por Amanda Gurgel

Há anos o cenário político brasileiro deixou de representar as vontades e desejos do povo. Partidos e políticos parecem viver em terras encantadas, onde tudo funciona corretamente, onde todas suas decisões são as melhores possíveis e a população está sempre feliz e satisfeita. É o "Brasil oficial" distante do "Brasil real".

A educação é a área em que mais sentimos a ausência de empenho por parte dos nossos governantes. Independente de partidos, se de esquerda ou de direita, todos parecem pouco se importar com a importância da educação de qualidade para o futuro do país. E uma questão tão importante como essa é tratada por militantes como algo meramente partidário. Basta ver os discursos inflamados de professores militantes de esquerda contra partidos de direita, como se a melhoria da educação dependesse de questões ideológicas. Até que surgiu Amanda Gurgel, uma professora da rede pública do Rio Grande do Norte, que com fala simples, educada, clara e objetiva foi capaz de resumir em um rápido e emocionante discurso a situação da educação no Brasil, em especial no Rio Grande do Norte, durante audiência pública na assembleia do seu Estado, deixando claro que o problema vai muito além de partidos e ideologias. O problema está enraizado em nossa política, em nossa cultura.

O vídeo desse discurso extraordinário correu as redes sociais e os telejornais, fazendo de Amanda a nova voz daqueles que lutam pela melhoria da educação e que mostram ter em seus corações não apenas a vontade, mas a capacidade de fazer desse país um lugar melhor.

Vendo esse discurso só consigo pensar em uma coisa: inveja dos alunos que tem a oportunidade única de ter como professora essa mulher fenomenal. E, se há mais pessoas como Amanda, o Brasil terá salvação.


15 abril, 2011

A cidade está melhor sem os fretados?

Após a restrição, o caos.

Quase dois anos depois de começar a vigorar a restrição aos ônibus fretados na cidade de São Paulo a Prefeitura alega que os congestionamentos diminuíram, a vida das pessoas está muito melhor e o sistema de transporte público flui magnificamente. Um verdadeiro conto de fadas. Mas, longe da fantasia criada pelos políticos para justificar suas tomadas de decisões errôneas, a realidade é totalmente diferente.

Se olharmos as médias de congestionamento dos últimos anos veremos que pouco, ou nada, mudou com os ônibus fretados fora da área conhecida como "centro expandido", região com as piores vias para se trafegar. E, levando-se em conta os milhares de carros a mais que passaram a rodar pelas ruas da cidade após a abrupta restrição, a ideia do Prefeito Kassab se mostra ineficiente, atrasada e completamente equivocada, indo totalmente contra o que se espera de uma cidade que busca melhorar a mobilidade do seus moradores e visitantes. Ideia esta que fora tomada unicamente para satisfazer os donos das companhias de ônibus que atuam nas linhas municipais, insatisfeitos com a crescente demanda ávida pelos excelentes serviços oferecidos pelas companhias de fretados.

As justificativas para a restrição, e praticamente extinção, desse serviço foram muitas. Teve quem dizia "ser um serviço que favorece somente a classe média", como se eles fossem cidadãos de segunda classe, sem o direito de exigir serviços de melhor qualidade. Outros apostaram na demonização, declarando serem os ônibus fretados os grandes vilões do trânsito, esquecendo que o verdadeiro vilão do caos urbano é a falta de planejamento durante anos por parte dos governantes.

Para derrubar a teoria de que seriam os ônibus fretados os grandes vilões basta fazermos uma conta simples: a frota que circulava pela cidade era de pelo menos 1.300 ônibus. Cada ônibus comporta em média 50 pessoas. Supondo que dessas 50 pessoas 45 tenham carro, chegamos facilmente à conclusão de que, ao todo, os ônibus fretados tiravam das ruas, todos os dias, 58.500 carros. Carros esses que hoje voltaram a abarrotar as ruas e avenidas, piorando ainda mais a qualidade de vida das pessoas e do ar que respiramos.

Apostando numa ideia sem qualquer fundamento lógico, a Prefeitura de São Paulo mostrou, mais uma vez, não estar preparada para enfrentar os problemas dos congestionamentos intermináveis e do transporte público deficiente. E os políticos, como não poderia deixar de ser, mostraram não estarem interessados em melhorar a vida dos seus cidadãos, mantendo seus olhos virados para seus umbigos. E enquanto o Prefeito Kassab sair de helicóptero do seu belo apartamento para ir à Prefeitura por causa do trânsito, absolutamente nada do que está errado mudará tão cedo.

09 abril, 2011

O porque do atirador do Realengo



Sensacionalismos e comoção pública à parte, não podemos nos deixar levar pelas circunstâncias e esquecer os verdadeiros motivos que levaram o jovem Wellington, de 23 anos, a disparar contra as crianças da sua antiga escola, no bairro do Realengo, no Rio de Janeiro. Se analisarmos com um pouco mais de atenção encontraremos facilmente dois desses motivos: Primeiro, devemos ter em mente que ele era claramente uma pessoa com distúrbios mentais sérios que não recebeu o tratamento adequado simplesmente porque sua família, amigos e professores apenas o achavam "um menino estranho e quieto". Segundo, que a escola em que ele passou sua infância falhou ao não identificar os distúrbios mentais para encaminhar o jovem para tratamento adequado, como se espera de uma escola preocupada com o bem-estar das suas crianças e preparada para lidar com alunos que demonstrem ter algum distúrbio psiquiátrico.

Comoção pública sempre é palco para ideias e comentários esdrúxulos. Falou-se da necessidade de instalação de detectores de metais nas escolas, como se transformá-las em mini presídios resolvesse os problemas. Também trouxeram à tona a questão do porte de armas, como se ter ou não porte mudasse o fato de que Wellington poderia conseguir as armas de fogo usadas no ataque em qualquer canto (assim como proibir a venda de drogas não impede que as pessoas se droguem). Até o Governador Sérgio Cabral ajudou a deturpar a história chamando Wellington de "animal" e pregando que o assunto é um "problema de segurança pública". Levar o foco do problema para esse lado serve unicamente para desviar a atenção da questão principal, que é a incapacidade do Estado brasileiro de oferecer tratamento psicológico adequado e de qualidade. É grande o número de pessoas que apresentam sintomas sérios de distúrbios mentais e que não conseguem atendimento na rede pública de saúde, colocando em risco a vida das pessoas nas ruas, das próprias famílias, e delas mesmas. Como exemplo temos o caso do personal trainer Alexandre Fernando Aleixo, que agrediu um cliente da Livraria Cultura com um taco de beisebol em dezembro de 2009. Mais tarde soube-se que Alexandre sofre de esquizofrenia.

E quem não lembra do estudante de medicina Mateus da Costa Meira, que disparou uma metralhadora dentro da sala de cinema do Morumbi Shopping, em São Paulo? Depois, no decorrer das investigações, constatou-se que o jovem era mais um dentre os milhões de brasileiros que sofrem de algum distúrbio mental.

Enquanto tratarem a saúde psiquiátrica com descaso e os doentes serem taxados de "animais" teremos muito mais casos como o do Realengo, da Livraria Cultura e do Morumbi Shopping. Só espero que com a Presidente Dilma ficando comovida com o caso do Rio de Janeiro as prioridades dentro da saúde comecem a mudar.

17 março, 2011

Quem precisa de trem-bala?

O trem-balada acabará com essa cena?
Nessa semana o Ministério Público Federal de Brasília questionou a licitação do famigerado trem-bala tupiniquim, pedindo sua imediata suspensão. Não, o questionamento não foi se é realmente necessário gastar tantos bilhões (mais de R$ 60 bilhões, para ser mais exato) em um único meio de transporte em um país cuja infraestrutura dos grandes centros urbanos (em especial São Paulo e Rio de Janeiro) beira o colapso por pura e completa incompetência governamental. Para quem esperava um questionamento moral e ético ficará decepcionado, pois o MPF/DF foi puramente técnico, referindo-se somente a algumas inconsistências na licitação.

Você que passa 2 horas no transporte público ou parado no congestionamento, saiba que o trem-bala é tratado como prioridade pela administração petista, que até o momento não demonstrou sinais de desistência desse que promete ser um dos maiores e mais caros elefantes brancos já vistos em solo brasileiro. E há duas razões para toda essa persistência. A primeira delas é a propaganda. A entrega de uma obra faraônica sempre foi o desejo dos nossos políticos. A massa gosta, a massa aplaude, a massa delira, e depois, a massa vota. A segunda razão é a financeira. Afinal, as empreiteiras precisam sacar os lucros dos investimentos na campanha eleitoral. E nada melhor do que uma gigantesca e bilionária obra faraônica.

R$ 60 bilhões em linhas de metrô diminuiria os congestionamentos
Quando ainda Presidente Lula tentou justificar o aporte de tantos bilhões de reais numa obra incerta dizendo que "o Brasil precisa perder o complexo de vira-lata" (seja lá o que um trem-bala tem a ver com isso). Na cabeça megalomaníaca do nosso ex-governante se países ricos possuem trens de alta velocidade, então o Brasil tem a obrigação moral de ter também, afinal, "não somos mais pobres". E para satisfazer seu ego insaciável seus pares evitaram lhe dizer o quanto o Brasil precisa evoluir para chegar ao ponto em que poderemos gastar tempo e dinheiro com extravagâncias. Também evitaram contar o quanto nossos aeroportos estão abandonados e o quanto o transporte público nas regiões metropolitanas está caótico.

Eles precisam de trem-bala?

Atualmente o Brasil conta com pouco mais de 29 mil quilômetros de trilhos, enquanto a malha americana ultrapassa os 220 mil quilômetros. É ingenuidade pensar que construindo uma única linha moderna e cara compensará décadas de verdadeiro abandono da malha ferroviária e todos os problemas do país em infraestrutura serão resolvidos. No transporte das regiões metropolitanas o cenário é ainda pior. Em São Paulo o sistema metroviário conta com míseros 69 quilômetros de trilhos e 60 estações (Nova York possui 468 estações distribuídas em mais de mil quilômetros de trilhos).

Dizem que Dilma Rousseff é mais centrada nas questões administrativas e menos performática do que seu antecessor. Esperamos então que ela dedique um pouco mais de tempo para analisar o projeto do trem-bala e mostre seu lado sensato reconhecendo o quanto essa obra é desnecessária para o nosso país e tenha a decência de dar um destino mais apropriado para os bilhões dos nossos impostos.

14 março, 2011

A Renault contra a liberdade de expressão


"Abuso do direito de liberdade de expressão". Foi essa a decisão da 1ª Vara Cível de Concórdia (SC) contra Daniely Argenton, consumidora que criou o site Meu Carro Falha para denunciar o descaso com que a montadora Renault trata o problema com seu carro, um modelo Mégane, comprado há mais de três anos e que desde então nunca funcionou corretamente. A montadora, ao invés de seguir o caminho mais óbvio (trocar o veículo defeituoso), optou por acionar a justiça para punir a consumidora insatisfeita.

Numa clara e torta definição do que seria "prejudicar a imagem da montadora", o juiz Renato Maurício Basso determinou que Daniely retire do ar o site e os perfis do Facebook, Twitter e YouTube que eram usados para a divulgação do problema enfrentado por ela, que até então foi completamente ignorado pela Renault. A pena pelo não cumprimento dessa decisão será de R$ 100 ao dia.

Será que não passou pela cabeça do juiz que a própria montadora é a culpada pela inevitável perda de imagem? Uma companhia que escolhe o caminho da punição dos seus clientes insatisfeitos deveria estar ciente das consequências decorrentes de sua atitude arbitrária e burra. E mais, um veículo que nunca funciona corretamente e uma montadora que não honra seu compromisso de oferecer a garantia amplamente divulgada em anúncios não terá sua imagem prejudicada por uma eventual denúncia de um cliente insatisfeito, e sim por sua incapacidade administrativa e operacional de lidar com uma crise.

A Renault poderia muito bem aprender com a Brastemp, que recentemente também se viu em meio a campanha de um cliente raivoso. A divulgação dos problemas enfrentados pelo cliente levou o nome da Brastemp a ser uma das palavras mais citadas no Twitter, o que imediatamente chamou a atenção da empresa. A Brastemp, sendo uma empresa consciente do valor da sua imagem a ser preservado e de que um problema com um de seus produtos é de inteira responsabilidade dela, entrou em contato com o cliente e resolveu o problema. Em seguida veio a público pedir desculpas e reconhecer a falha.

Falta à Renault esse mesmo senso de responsabilidade, de vir a público reconhecer suas falhas e tentar ao máximo satisfazer seus clientes e corrigir possíveis erros em seus produtos. A montadora terá de escolher se continuará utilizando os meios arbitrários para calar seus clientes, ou se resolverá da única forma imaginável e sensata. Afinal, o estrago da imagem já foi feito, com ou sem campanha.


22 novembro, 2010

Os amigos não estavam lá por ele


O país inteiro está chocado após a divulgação das imagens da câmera de segurança que captou o momento exato da agressão contra um jovem gay ocorrida na Avenida Paulista no último dia 15, praticada por outros também jovens com clara falta de ocupação, pais omissos e fortes tendências à homossexualidade enrustida (me desculpem, mas todos aqueles que optam pela agressão a homossexuais de forma gratuita tem SIM um pezinho no lado GLS, mas que teimam em esconder).

As cenas são realmente aterradoras e revoltantes, mas outra coisa chamou minha atenção, e que para mim é igualmente revoltante: a insensibilidade dos dois amigos que acompanhavam o jovem agredido covardemente. Vendo o amigo ser espancado, eles apenas continuam andando, ignorando o amigo que precisava de socorro. E no vídeo vemos eles parando e observando, como se o que estava acontecendo fosse algo corriqueiro, sem qualquer gravidade. Lá parados pareciam estar pensando "Não é com a gente mesmo... Quando terminarem, arrastamos o corpo para o metrô". Nem ao menos esboçam preocupação em buscar ajuda, ligar para a polícia, ou até mesmo partir para a briga em defesa do pobre coitado. Simplesmente ignoraram o fato de que eles também poderiam ter sido escolhidos pelos agressores, e que se isso acontecesse, eles torceriam para que seus amigos os ajudassem.

Por mais que o momento fosse de total perplexidade e espanto com a agressão gratuita, o mínimo que se espera seja o apoio dos amigos em situações adversas. Afinal, amigos são aqueles que estarão sempre ao seu lado, não importa o quão grave seja o momento. E naquelas imagens o que vi foram dois covardes que são tão culpados quanto os agressores. Omissão é um grande erro. E a omissão quando um amigo necessita de ajuda é um erro maior ainda, sem espaço para justificativas.

22 agosto, 2010

Brasil, um país de aborto e hipocrisia

Atualmente a única discussão sobre o aborto é se o deus cristão, do alto de toda sua magnitude e onipresença, permite ou não "tal ato de atrocidade com a vida do ser humano". Mas as pessoas se fazem de cegas para o que realmente está por trás da decisão que leva a uma mulher optar pelo aborto. Não quero aqui julgar a escolha religiosa de cada um, mas o que não posso deixar de julgar é o tamanho da hipocrisia de um povo que se diz temente a deus e seguidores da bíblia acharem que seus dogmas e preceitos religiosos devem se sobrepor às decisões que só cabem a cidadãos com o direito à liberdade para fazer suas próprias escolhas. Uma crença religiosa qualquer jamais deve ser vista como caminho único a todos os cidadãos de um país democrático e laico.

O aborto não é um tema polêmico apenas pelo fato de envolver a interrupção de vidas. O aborto causa discussões intensas apenas por se tratar de um ato que o povo cristão diz ser contra as "leis" de seu deus. Mas afinal, porque todos devem seguir as "leis" de algo que nem todos acreditam? Por que condenar mulheres carentes que, não tendo o poder aquisitivo das mulheres das classes A e B, que podem procurar clínicas chiques em bairros nobres, procuram curandeiras ou parteiras para realizar o aborto, correndo o risco de morrer em decorrência de complicações? Seria esse o desejo de deus? A morte de mulheres que não podem ter acesso ao atendimento médico de qualidade e à educação não pode ser visto como uma afronta à religião.

O Governo de um país onde a curetagem, procedimento pós-aborto, é a cirurgia mais realizada pelo SUS (3,1 milhões entre 1995 e 2007, de acordo com o Ministério da Saúde) tem por obrigação deixar a hipocrisia de lado e abordar o assunto sem preconceitos, passando a tratá-lo como uma das prioridades na saúde pública. E a população tem o direito de ter suas decisões respeitadas, sem o julgamento religioso e a interferência dos desejos de alguns grupos que nada tem com o papel de Governo.

A informação é a maior aliada nesse assunto. Para acabar com preconceitos, informar melhor a população e derrubar tudo o que grupos religiosos tentam disseminar na mente do povo, foi criado o site Aborto em Debate. Um espaço para a livre discussão e para encontrar tudo o que você precisa saber para fugir do senso comum e formar sua própria opinião sobre o aborto.

12 julho, 2010

Depois da restrição, a taxação


Como se não bastasse a restrição ao transporte fretado na cidade de São Paulo usando argumentos como "os ônibus atrapalham o trânsito" (mesmo retirando pelo menos 50 carros das ruas) e "a classe média não pode se achar no direito de ter mais do que os demais da população" (oi?!), o que inviabilizou praticamente todo o sistema, agora o Governo do Estado taxará ainda mais o serviço, aumentando seu custo e, consequentemente, penalizando os clientes desse que é o único meio de transporte em massa que carrega a bandeira da qualidade aceitável.

São Paulo sofre com um terrível mal: empresários do setor de transporte financiando campanhas políticas. Em troca dos milhões de reais pagos por eles, os políticos se veem obrigados a taxar, limitar e piorar o sistema de transporte público para favorecer os lucros e desejos dos empresários, em detrimento da população. O resultado disso é essa grande palhaçada que vemos, onde os prejudicados são os passageiros, que perdem o direito de usufruir de um meio de transporte decente, confortável e de qualidade, e a cidade, que perde com trânsito ainda mais congestionado e a saturação dos meios atuais, não só precários, mas também limitados.

Há anos vemos por aqui o peso da mão dos empresários do setor de transportes. Tarifas cada vez mais altas e menos ônibus em circulação são apenas alguns exemplos muito bem conhecidos por todos nós. Agora, taxar ainda mais as empresas de fretamento servirá para deixar ainda mais clara a intenção do Governo para com seus governados: queremos que vocês se fodam!

E com esse texto me junto à campanha "Eu Usava Fretado", criada por Leonor Octavini, do Blog da Leo. Pois somente com mobilização conseguiremos manter nossos direitos e mostrar aos nossos amáveis políticos que eles trabalham para todos, e não apenas para aqueles que financiam suas campanhas milionárias.

10 julho, 2010

Um pouco do outro lado

Recebi de uma conhecida o relato de Ana Luiza Tapia, uma brasileira que há cerca de dois anos e meio está servindo na área médica do Exército de Israel. E como é sempre bom conhecer um pouco mais do outro lado antes de opinar sobre qualquer assunto, sugiro que você faça o mesmo lendo o texto abaixo. É um breve relato do que aconteceu no dia em que o exército de Israel invadiu o navio que transportava ativistas em direção a Gaza.


Oi a todos!

Primeiro quero agradecer a todos os e-mails preocupados. Eu estou bem, ótima. Eu peço desculpas por não escrever mais frequentemente, mas no exército é assim. Não temos tempo para nada.

Sei que todos já estão cansados de ouvir falar do que aconteceu em Gaza nesta semana, mas como ouvi muitas asneiras por aí, resolvi contar a vocês a minha versão da história. Eu não quero que pensem que virei alguma ativista ou algo do gênero. Eu continuo a mesma Ana de sempre. Mas por ter feito parte desse episódio, não posso me abster de falar a verdade dos fatos.

Eu Estava lá! Ninguém me contou, não li no jornal, não vi fotos na Internet ou vídeos no YouTube. Vi tudo como foi mesmo, ao vivo e com muitas cores.

Como vocês sabem, eu estou servindo como médica na medicina de emergência do exército de Israel, departamento de trauma. Isso significa: medicina em campo.

4h30 de segunda-feira: meu telefone do exército começa a tocar. Possíveis conflitos em Gaza? Pedido de ajuda da força médica, garantir que não faltarão médicos.
Minha ordem: aprontar-me rapidamente e pegar suprimentos, o helicóptero virá me buscar na base. No caminho, me explicam a situação. Há um navio da ONU tentando furar a barreira em Gaza. Li todos os registros fornecidos pela inteligência do exército (até para entender o tamanho da situação).

O navio se aproximou da costa a caminho de Gaza. O acordo entre Israel e a ONU é que TODOS os barcos devem ser inspecionados no porto de Ashdod em Israel e todos os suprimentos devem ser transportados pelo NOSSO exército a Gaza. Isso porque, ainda hoje, cerca de 14 mísseis tem sido lançados de Gaza contra Israel diariamente. E não podemos permitir que mais armamento e material para construção de bombas sejam enviados ao Hamas, grupo terrorista que controla Gaza. Dessa forma, evitamos uma nova guerra. Ao menos por agora.

O navio se recusou a parar. Disseram que eles mesmos entregariam a carga a Gaza. Assim, diante de um navio com 95% de civis inocentes (os outros 5% são ativistas de grupos terroristas aliados ao Hamas, que tramaram toda essa confusão), Israel decidiu oferecer aos comandantes do navio que parassem para inspeção em alto mar. Mandaríamos soldados para inspecionar o navio e se não houvesse armamento ele poderia seguir rumo a Gaza.

Essa foi uma atitude extremamente pacifista do nosso exército, em respeito aos civis que estavam no navio. E, se não há armamento no navio, qual é o problema de que ele seja inspecionado? Os comandantes do navio concordaram com a inspeção.

5h: Minha chegada em Gaza. Exatamente no momento em que os soldados estavam entrando nos barcos. E foram gratuitamente atacados. Tiveram suas armas roubadas, foram espancados e esfaqueados.
Mais soldados foram enviados, desta vez para controlar o conflito. Cerca de 50 pessoas se envolveram no conflito, nove morreram. Morreram aqueles que tentaram matar nossos soldados, aqueles que não eram civis pacifistas da ONU, mas sim militantes terroristas que comandavam o grupo. Todos os demais 22 feridos entre os tripulantes do navio, foram atendidos e resgatados por nós, eu e minha equipe, e enviados para os melhores hospitais em Israel.

Entre nós, nove feridos. Tiros, facadas e espancamento. Um deles ainda está em estado gravíssimo após concussão e seis tiros no tronco. Meninos entre 18 e 22 anos, que tinham ordem para inspecionar um navio da ONU e não ferir ninguém. E não o fizeram.

Israel não disparou nem o primeiro, nem o segundo tiro. Fomos punidos por confiar no suposto pacifismo da ONU. Se soubéssemos a intenção do grupo, jamais teríamos enviados nossos jovens praticamente desarmados para dentro do navio. Ele teria sim sido atacado pelo mar. E agora todos os que ainda levantam a voz contra Israel estariam no fundo mar.

Depois de atender os nossos soldados, me juntei a outra parte da nossa equipe que já cuidava dos tripulantes. Mesmo com braceletes dizendo MÉDICO em quatro línguas (inglês, turco, árabe e hebraico) e estetoscópios no pescoço, também a nós eles tentaram agredir. Um deles cuspiu no nosso cirurgião. Um outro deu um soco na enfermeira que tentava medicá-lo. Além de agressores, são também ingratos.

Eu trabalhei por 6 horas seguidas atendendo somente tripulantes do navio. Todo o suprimento médico e ajuda foi oferecido por Israel. Depois do final da confusão o navio foi finalmente inspecionado. Lotado de armas brancas e material para confecção de bombas caseiras. Onde é que está o pacifismo da ONU???

Na terça-feira, fui visitar não só os nossos soldados, mas também os feridos do navio. Essa é a política que Israel tenta manter: nós não matamos civis como os terroristas árabes. Nós não nos recusamos a enviar ajuda a Gaza. Nós não queremos mais guerra. Mas jamais vamos permitir que matem os nossos soldados.

Só milionário idiota que acha lindo ser missionário da ONU não entende que guerra não é lugar para civis se meterem. Havia um bebê no barco (que saiu ileso, obviamente): alguém pode explicar por que uma mãe coloca um bebê em um navio a caminho de uma zona de guerra? Onde eles querem chegar com isso? Eles não entendem que foram usados como ferramenta contra Israel, e que a intenção nunca foi enviar ajuda a Gaza, e sim gerar polêmica e criar ainda mais oposição internacional. E continuam sem entender que dar força ao terrorismo do Hamas, do Hezbollah ou do Irã só significa mais perigo. Não só a Israel, mas ao mundo todo.

E o presidente Lula precisa também entender que desta guerra ele não entende. E que o Brasil já tem problemas demais sem resolver. Tem mais gente passando fome que em Gaza. Tem muito mais gente morrendo vítima da violência urbana no Rio do que mortos nas guerras daqui. E passar a cuidar dos problemas daí. Dos daqui, cuidamos nós.

Eu sempre me orgulho de ser também brasileira. Mas nesta semana chorei. De raiva, de raiva de ver que especialmente no Brasil, muito mais do que em qualquer outro lugar, as notícias são absolutamente destorcidas. E isso é lamentável. Não me entendam mal. Eu não acho que todos os árabes são terroristas. Mas sei que quem os controla hoje é. E que esta guerra não é só contra Israel. O Islamismo prega o EXTERMÍNIO DE TODO o mundo não árabe. Nós só somos os primeiros da lista negra.

Um beijo a todos,
Shabat Shalom
Ana Luiza Tapia
Brasileira, Médica e Oficial do Exército Israelense

29 junho, 2010

Fim do Geni


Na semana passada foi ao chão o esplendido casarão construído em 1890 que abrigava o Geni, um dos pontos mais badalados e autênticos da vida noturna de São Paulo. No lugar foi projetada a construção de um enfadonho prédio comercial com 11 andares de escritórios cafonas, para o deleite de engravatados robotizados.

Que cidade é essa que destrói um precioso patrimônio com mais de 100 anos de história para dar lugar ao que chamam de "progresso", nas palavras de Kalil Rocha Abdalla provedor da Santa Casa, antiga dona do imóvel? Que cidade é essa que é incapaz de conviver em harmonia com seu passado, com a riqueza centenária que embeleza essa cidade tão cheia de cinza e concreto?

A cidade não perdeu apenas um prédio histórico. Junto com aquele prédio foi também um pedaço do que podemos chamar de balada. Local onde a noite era intensa, divertida e agradável. O Geni, com seus cômodos aconchegantes e espaçosos, era convidativo às reuniões com amigos que viravam a noite. Tudo ao som de boa música ao vivo, coquetéis deliciosos e comida saborosa.

Os donos confirmam que há planos da reabertura do Geni em outro local da cidade. Mas, cá entre nós, jamais será a mesma coisa.

E viva o progresso!

14 junho, 2010

Campo de concentração tupiniquim

Na reportagem sobre as condições deploráveis dos presídios do Estado do Espírito Santo exibida ontem (13) no programa "Domingo Espetacular" (TV Record) ficou mais do que claro o quanto somos um país atrasado, pobre e desumano.

Enquanto nosso amável Presidente se aventura mundo afora em sua incansável missão de defender ditadores e assassinos, nosso país se acaba em violência, corrupção e pobreza. Enquanto enviamos milhões de dólares ao Haiti para ajudar pessoas que nada tem a nos acrescentar, nossas cadeias se assemelham a campos de concentração, verdadeiros currais, locais inadequados à sobrevivência de qualquer animal, mas que abrigam milhares de condenados que ali cumprem uma pena a mais do que a imposta por seu crime.

Como queremos que um preso que tenha cumprido sua pena naquelas condições seja reintegrado à sociedade se o tratamos da pior maneira possível, sem dar-lhe condições mínimas de humanidade? Como queremos ser uma sociedade livre da violência se criamos monstros cheios de revolta por terem sido tratados como lixo, passando anos em celas superlotadas, imundas, e muitas vezes em contêineres?

Muitos dizem que presos tem o que merecem e que não devemos ter pena deles. Mas será mesmo que essa é a melhor forma de punir alguém? É com celas sem banheiro, com esgoto a céu aberto e em meio aos ratos que se pune um ser humano? Se for dessa maneira que queremos que nossos presos sejam punidos como podemos reclamar da violência gerada por eles? Como podemos culpar um homem que passou por toda essa desgraça querer nos matar em um assalto? Nós criamos essa violência, nós somos os culpados. E apenas nós, brasileiros, podemos mudar isso. Temos a chance, e ela está chegando. Eleições servem para decidirmos que tipo de Brasil queremos. É o momento para decidirmos qual futuro queremos. E é nesse momento que decidimos se queremos uma sociedade humana e livre da violência, ou se continuamos nesse ciclo vicioso de desgraça.

E você, em qual Brasil quer viver?

10 junho, 2010

McUniversal

Saúde debilitada. Falta de dinheiro. Relacionamentos desastrosos. Temos tantos problemas e tão pouco tempo para resolvê-los que acabamos deixando em segundo plano as coisas mais importantes de nossas vidas. Mas seus problemas acabaram! Chegou o revolucionário Drive Thru de Oração.

Para que se preocupar com falta de tempo, trânsito e multidão? Com o novíssimo Drive Thru de Oração você recebe a benção divina no conforto do seu carro. Dê adeus ao inconveniente de louvar ao senhor todo poderoso em templos quentes e cheios.

Está indo para casa e deu aquela dorzinha de cabeça? É encosto! Passe agora mesmo no Drive Thru de Oração e faça um "quick descarrego". É prático, é rápido, é santo! É a Igreja Universal pensando no meu bem estar.

Agora falando sério, quanto tempo vocês acreditam que levará para vermos tabelas de preços de orações e comerciais na TV no estilo Casas Bahia anunciando campanhas religiosas e sessões de descarrego?

Deus, me vê um número 1 com Coca Zero?!

01 junho, 2010

Pela memória e pela verdade


"Nós, abaixo assinados, apoiamos a Campanha pela Memória e pela Verdade, desenvolvida pela OAB/RJ, em defesa da abertura dos arquivos da repressão política no período da ditadura militar.

Nós, abaixo assinados, consideramos que é direito das famílias dos desaparecidos conhecerem o destino de seus entes queridos.

Nós, abaixo assinados, estamos convictos de que o conhecimento pleno do que ocorreu nos porões da ditadura durante os chamados anos de chumbo é importante para se evitar a repetição da barbárie. Um país que não conhece sua História está fadado a repetir os erros.

Por fim, esperamos que as autoridades do Executivo e do Legislativo, a quem se destina este documento, determinem as providências necessárias para que seja dada publicidade aos arquivos, criando assim as condições para uma verdadeira reconciliação nacional".

Inclua seu nome aqui.

19 maio, 2010

Conexão Mata Atlântica

Durante o Viva a Mata - mostra de iniciativas e projetos em prol da Mata Atlântica, realizado pela Fundação SOS Mata Atlântica de 21 a 23 de maio, na Arena de Eventos ao lado da Marquise do Parque Ibirapuera - será lançada a Conexão Mata Atlântica. Trata-se da rede oficial da ONG onde funcionários, parceiros, fornecedores, patrocinadores, jornalistas e qualquer cidadão que tenha alguma relação ou simpatia pela organização e pela Mata Atlântica podem trocar experiências e participar de fóruns e eventos online que discutirão questões ambientais. Na comunidade também será possível postar vídeos, fotos, fóruns de discussões, convidar amigos, fazer parte de grupos específicos e personalizar a página pessoal. O objetivo da comunidade, criada pela Educartis, é fomentar e articular em rede a colaboração e a troca de conhecimentos entre as pessoas que se preocupem com a Mata Atlântica.

12 maio, 2010

Marina Silva prefere a esmola

Marina Silva, pré-candidata à Presidência da República pelo Partido Verde, disse em alto e bom som que quem critica o programa assistencialista Bolsa Família o faz por nunca ter passado fome. Disse também que o programa é uma "questão de direitos humanos".

Sendo ela conhecedora da miséria e da fome, deveria saber que dar dinheiro sem pudores e regras não tira uma família da pobreza. Muito pelo contrário. Tal atitude perpetua a miséria, a preguiça e o desemprego.

Nos meses em que trabalhei em uma escola estadual em um dos bairros mais pobres da cidade de Osasco presenciei inúmeras vezes pessoas dizendo o quão felizes estavam por não precisar mais trabalhar, bastando apenas manter seus vários rebentos matriculados na escola para receber as diversas esmolas distribuídas pelo Governo.

A demonstração do desinteresse pelo trabalho causado pelo dinheiro fácil proporcionado com o Bolsa Família fica clara na baixa demanda pelos cursos profissionalizantes oferecidos aos beneficiados. O que é justificado pelo fato de correrem o risco de perder a mamadeira federal caso tenham a "infelicidade" de encontrar um emprego. Afinal, louco é aquele que acorda cedo, pega transporte público lotado e chama isso de "vida".

O mal causado pelo Bolsa Família vai além da inércia que impregna a maioria dos beneficiados. Como era de se esperar, o programa se tornou uma poderosa moeda de troca de votos, tornando praticamente impossível (e impensável) algum político propor o seu fim para dar lugar a novos projetos mais realistas e úteis ao país e seu povo. Por esse motivo, é mais do que óbvia a declaração de Marina Silva, ávida por angariar novos votos pela simpatia dos pobres. Mas seria ela uma candidata mais preparada se nos trouxesse novas ideias, deixando de lado o discurso barato e repetitivo instituído por Lula e seus aliados.

A Seleção parou Brasília

Me criticam por não acreditar no Brasil, na política e no povo, mas realmente dá para levar a sério um país com tantos problemas como o nosso ter políticos gastando tempo (e nosso dinheiro) para discutir sobre a escalação da Seleção para a Copa do Mundo?

06 maio, 2010

Fim do Belas Artes?

Um dos ícones da cultura paulistana está prestes a morrer. O banco HSBC encerrou a parceria com o Cine Belas Artes, que teve início em 2004. Agora, sem patrocínio, o cinema não conseguirá se manter, tendo de fechar as portas.

Por que os cinemas de rua no Brasil tem de ter o mesmo fim? Viram igreja, cinema pornô ou caem no esquecimento. Enquanto isso, as salas de cinema comerciais se proliferam em shoppings e estão com suas salas sempre lotadas. É uma pena uma arte tão bela e rica se limitar a combos e Coca-Cola.

Lembrando que o Belas Artes já teve sua programação considera a melhor da Capital. E é lá que acontece um dos projetos de cinema mais famosos e elogiados, o Noitão Belas Artes. Então, vamos fazer nossa parte participando da campanha pela continuidade desse que é um dos marcos da nossa cultura.

29 abril, 2010

Jeitinho brasileiro que resolve tudo

Adorei a solução encontrada pela Prefeitura do Rio de Janeiro para "amenizar" a violência sofrida pelos taxistas da cidade. E não é aquela idiotice de primeiro mundo de aumentar o policiamento preventivo. Não, no Rio de Janeiro o negócio é mais Brasil, mais nosso. Quando o taxista se sentir ameaçado ou quiser recusar passageiros em áreas "de risco" ele só precisa acionar um botão para piscar o luminoso do seu veículo e passar reto. Pronto, assim todos ficam felizes, contentes e saem ilesos de toda essa violência.

É, realmente o jeitinho brasileiro é mesmo o melhor do mundo...
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