09 abril, 2011

O porque do atirador do Realengo



Sensacionalismos e comoção pública à parte, não podemos nos deixar levar pelas circunstâncias e esquecer os verdadeiros motivos que levaram o jovem Wellington, de 23 anos, a disparar contra as crianças da sua antiga escola, no bairro do Realengo, no Rio de Janeiro. Se analisarmos com um pouco mais de atenção encontraremos facilmente dois desses motivos: Primeiro, devemos ter em mente que ele era claramente uma pessoa com distúrbios mentais sérios que não recebeu o tratamento adequado simplesmente porque sua família, amigos e professores apenas o achavam "um menino estranho e quieto". Segundo, que a escola em que ele passou sua infância falhou ao não identificar os distúrbios mentais para encaminhar o jovem para tratamento adequado, como se espera de uma escola preocupada com o bem-estar das suas crianças e preparada para lidar com alunos que demonstrem ter algum distúrbio psiquiátrico.

Comoção pública sempre é palco para ideias e comentários esdrúxulos. Falou-se da necessidade de instalação de detectores de metais nas escolas, como se transformá-las em mini presídios resolvesse os problemas. Também trouxeram à tona a questão do porte de armas, como se ter ou não porte mudasse o fato de que Wellington poderia conseguir as armas de fogo usadas no ataque em qualquer canto (assim como proibir a venda de drogas não impede que as pessoas se droguem). Até o Governador Sérgio Cabral ajudou a deturpar a história chamando Wellington de "animal" e pregando que o assunto é um "problema de segurança pública". Levar o foco do problema para esse lado serve unicamente para desviar a atenção da questão principal, que é a incapacidade do Estado brasileiro de oferecer tratamento psicológico adequado e de qualidade. É grande o número de pessoas que apresentam sintomas sérios de distúrbios mentais e que não conseguem atendimento na rede pública de saúde, colocando em risco a vida das pessoas nas ruas, das próprias famílias, e delas mesmas. Como exemplo temos o caso do personal trainer Alexandre Fernando Aleixo, que agrediu um cliente da Livraria Cultura com um taco de beisebol em dezembro de 2009. Mais tarde soube-se que Alexandre sofre de esquizofrenia.

E quem não lembra do estudante de medicina Mateus da Costa Meira, que disparou uma metralhadora dentro da sala de cinema do Morumbi Shopping, em São Paulo? Depois, no decorrer das investigações, constatou-se que o jovem era mais um dentre os milhões de brasileiros que sofrem de algum distúrbio mental.

Enquanto tratarem a saúde psiquiátrica com descaso e os doentes serem taxados de "animais" teremos muito mais casos como o do Realengo, da Livraria Cultura e do Morumbi Shopping. Só espero que com a Presidente Dilma ficando comovida com o caso do Rio de Janeiro as prioridades dentro da saúde comecem a mudar.

2 comentários:

Igo Araujo disse...

Estranho pensar que no séc XXI disturbios mentais ainda sejam visto com tanto estigma. Mas essa é a condição de vários outros problemas da nossa sociedade. Wellington foi um animal psicopata, nossos governantes são animais ignorantes. Estes são ainda mais mortais, embora não gerem tanta audiência...

Anônimo disse...

Na verdade também vejo a questão da segurança como um problema público, geral, está questão não deve ser vista apenas no RJ onde aconteceu esta tragédia, deve ser vista em todo o país.. Uma medida de segurança deve sim ser tomada, mas não só no RJ e sim em todo o Brasil. As crianças são o futuro e devemos pensar nisso, ninguém mais quer ver seu filho sendo brutalmente assassinado na sala de aula.... Creio que nosso governador que se mostrou muito abalado com a tragédia, certamente nos apresentará um plano de segurança para ser instalado em nossas escolas.

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