12 março, 2010

Eu amo o lixo ianque!


Acabo de assistir a segunda temporada da série americana "Damages", uma das melhores produções a que tive o prazer de assistir. A história é incrivelmente bem elaborada, instigante e surpreendente. Passei cada minuto grudado no sofá praticamente sem respirar e com o coração na mão. As atuações, claro, são as melhores possíveis. Glenn Close está memorável, impecável, diabólica. Interpretando a personagem principal, a advogada Petty Hewes, ela entrou para a minha seleta lista de preferidos.

Ao final do último episódio uma pergunta me veio à cabeça: com uma produção desse nível como pode aquele tal assessor do Governo Lula com tendências comunistas, Marco Aurélio Garcia, dizer que tudo o que passa na TV paga é puro "esterco cultural"? Essa é uma afirmação que não se encaixa no contexto da realidade. Será mesmo que ele estava falando sério? Ele realmente se sente nos tempos da revolução cubana e ainda acredita numa invasão americana, dessa vez disfarçada de produções de qualidade? "Oras, como se atrevem vir encher nossas cabeças com esse lixo de primeira linha?!", ele deve pensar. Malditos americanos e sua criatividade sem igual!

Garcia deve ser um amante fervoroso de Sônia Abrão, Ratinho e novelas. Até consigo imaginá-lo sentado na sala da casa grande com sua família, a bandeira cubana ao fundo e na TV somente a genuína programação tupiniquim, a verdadeira qualidade brasileira. Ou seria ele um hipócrita que não perde um só episódio de "House"?

O motivo do enorme sucesso no Brasil de programas americanos não seria a horrorosa qualidade da programação da TV aberta? Afinal, a principal ideia da democracia é exatamente essa, termos o direito de escolher. E escolhemos o que é bom para nós. Escolhemos "Desperate Housewives" ao invés de "Toma Lá Dá Cá", "Damages" ao invés de "Caminhos do Coração".

E se o cinema nacional definha ante o crescimento do cinema hollywoodiano talvez a culpa seja do próprio cinema nacional. Qualquer acéfalo preferiria assistir "Preciosa" ao invés de "Se Eu Fosse Você" ou qualquer uma daquelas produções pseudo-cults que pipocam no cinema tupiniquim.

Querido Garcia, admita. Quase tudo o que produzimos é lixo. Intragável e inconsumível. Se escolhemos as brilhantes produções americanas que dominam a TV paga é porque elas são minimamente mais agradáveis do que qualquer porcaria exibida sábado à tarde a TV aberta.

2 comentários:

Guss disse...

Sem comentários sobre TV e cinema do Brasil... e acho que é por isso que tentam copiar os moldes americanos (o que nem sempre conseguem ou dá certo).

Ah, e minha criatividade veio de um acidente qdo criança, que caí de cabeça do segundo andar. Me deu uma bela cicatriz, mas meu cérebro começou a funcionar um poquinho mais. rs

Abraço!

Cleyton Vilarino disse...

Só não esqueça que a TV Brasileira teve sua formação copiando a TV Americana e o faz até hoje.

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