07 outubro, 2009

'Vamo dá um salve!"


No último domingo (4) fui ao cinema assistir "Salve Geral", filme de Sérgio Resende, já imaginando o que me esperava: um filme repleto de clichês e apologia ao grupo criminoso que promoveu ataques às polícias Civil, Militar e Metropolitana na cidade de São Paulo, o PCC (Primeiro Comando da Capital).

O filme em si é realmente uma grande produção e as atuações são impecáveis. Mas o que realmente me irritou foram as intermináveis frases de efeito, como se os personagens estivessem em um palanque no período eleitoral. Os diálogos surgiam como se tudo fosse uma grande propaganda. Tudo muito falso, afinal, em que planeta os bandidos falam tão polidamente como se fossem aristocratas do século 19?

Para piorar, as cenas de amor bandido entre Lúcia (Andréa Beltrão) e o Professor (Bruno Perillo), um dos chefes do PCC (que mais parece um Dom Juan das celas), foram completamente fora de contexto. Pitadas de sexo para aumentar a bilheteria. Essa, aliás, é uma das deprimentes características do cinema nacional.

Tratar uma organização criminosa como um movimento libertário dos pobres e oprimidos contra o Governo tirano da burguesia é um dos grandes erros de "Salve Geral". Esquecem dos fatos reais e romantizam boatos de forma didática na tentativa de tornar a história palpável, perpetuando o medo. Medo este acentuado pela mídia, incluindo a TV Globo.

E um aviso à Globo Filmes: quando forem retratar histórias em São Paulo, por favor, sejam mais verossímeis. Ao botar fogo em um ônibus tenham a decência de usar um veículo atual, e não um de 20 anos atrás.

Para saber onde assistir acesse o Guia da Folha Online.

4 comentários:

Thiago Almeida disse...

Ainda não assisti "Salve geral". Ensaiei todo fim de semana, mas, não tive tempo. Porém, assistirei!

Infelizmente, há alguns clichês (como você mesmo citou), que ferem ALGUMAS produções cinematográficas brasileiras. Mas, com todos os pesares, ainda acho o cinema brasileiro um dos melhores da america do sul (ao lado da escola Argentina).

Forte abraço, Thiago!


PS: Achei comico e fiquei curioso sobre seu comentário: "...Ao botar fogo em um ônibus tenham a decência de usar um veículo atual, e não um de 20 anos atrás". HAHAHA

Samuel Bryan disse...

vc assistindo filme brasileiro?
iiiih
daquele aquele pseudo contra-cultura que existia dentro de voce?
hahahaah

Jannice Dantas disse...

Eu gosto muito de filme nacional. Principalmente pela reviravolta dele de uns poucos anos pra cá.

Pelo que ouvi e vi pelos veículos de comunicação, estava achando que esse era o bam-bam-bam do momento, se não me engano ele foi o escolhido para representar o Brasil no Oscar e também foi super bem recebido pelas críticas.

Bom, como aqui os lançamentos só chegam alguns meses depois, vou ter que ficar no aguardo, para poder emitir qualquer opinião.

Cleyton Vilarino disse...

Tinha muito mais coisas por trás dos ataques de Maio do que apresenta o filme.
Primeiro que não é questão de tratar o PCC como um grupo libertário, mas durante os ataques de Maio eles vieram chamar atenção para um coisa grave: Nosso sistema penitenciário não funciona e ninguém está afim de fazer funcionar. Se ele funcionasse, aí sim poderíamos falar em recuperação e ressociabilização de pessoas. Por enquanto aquilo é só uma escola do crime. E sim! A mídia mostrou tudo como se eles fossem apenas um bando de baderneiros e instaurou um pânico desnecessário ao invés de realizar uma cobertura séria que explorasse o assunto com um pouco mais de profundidade. Virou espetáculo, como tudo hoje em dia.
Vale ressaltar que durante os ataques de MAio a polícia executou muita gente nas ruas de maneira gratuita. A maioria negros, pobres, habitantes da periferia.
Vagabundos? Sobre o morro pra você ver quem é que fornece medicamentos pra população, por exemplo. Não estou defendendo o crime organizado, mas abordá-lo apenas como um bando de vagabundos é empobrecer um debate muito mais profundo.

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