06 maio, 2010

Luxuoso, mas nem tanto

Com grande estardalhaço a JHSF, uma das mais importantes construtoras do Brasil, inaugurou o auto intitulado "shopping mais luxuoso da América Latina", o Shopping Cidade Jardim. Às margens do poluído Rio Pinheiros (mais chic impossível), o empreendimento ergue-se em toda sua imponência e elegância com torres de apartamentos milionários (só a cobertura de um dos prédios chega a valer R$ 18 milhões), torres comerciais e o dito shopping, cópia perfeita de modelos Europa afora.

O grande diferencial anunciado pela JHSF na ocasião da inauguração do Cidade Jardim era sua exclusivíssima seleção a dedo das lojas a serem inauguradas lá. Nada de anúncios ao mercado de vagas para locação. Não, isso é muito pobre. O Cidade Jardim convidou cada loja que queria expor em seus corredores milionários. Hermès, Daslu (outro ícone do luxo que hoje se encontra falida), Louis Vuitton, entre outros, somente o puro do luxo mundial.

Meses depois, o inevitável: público pequeno, se comparado a outros centros do luxo paulistano, como o Shopping Iguatemi (talvez a causa seja certo rio poluído e fedorento que "tristemente" passa próximo ao shopping, espantando e irritando muitos frequentadores).

Com tanto luxo, poder e ostentação, foi para mim um grande espanto ao tomar conhecimento da lista de novas lojas que passaram a integrar o rol de ouro do Cidade Jardim. Dentre grandes nomes do setor, lojas como M. Officer, Hering, Siberian, Kopenhagen, Polishop e Colcci, facilmente encontradas em qualquer canto do Brasil, inclusive em Osasco.

Acho engraçada a sede por um mundo inacessível, distante, onde o único deus é o Amex Plantinum, mas que ao longo do tempo se deparam com o dilema de que, sem agradar a todos, correrá o risco de ter de fechar as portas. A Daslu, de Eliana Tranchesi, é o melhor exemplo que temos desse tipo de alto luxo no Brasil: breguismo, exagero, megalomania e futilidade sem sentido. Tanta ostentação sem propósito resultou na decadência do antigo tempo do consumo de luxo paulistano. Um triste fim previsto desde a inauguração da Villa Daslu, complexo em um medonho estilo neoclássico também às margens do fétido Rio Pinheiros (o que tanto veem de glamouroso naquele rio?!).

Então, quando o cinto aperta e os consumidores fogem, empresários requintados se curvam às marcas mais "populares", onde o luxo e poder não são exatamente seu foco. E isso tudo me faz pensar: por que então perder tanto tempo com frescuras?

Um comentário:

Anônimo disse...

Esse tipo de loja é super estudado por agências de publicidade da Europa, que não vêem sentido algum nesses 'Templos de Ostentação' e incrivelmente só 'viram' no Brasil e e alguns países subdesenvolvidos!

Ainda bem que o conceito LUXO PURO é falho, porque esse modelo (assustador)é realmente fruto de uma sociedade sofrida e obcecada.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...